27 de agosto de 2026
VERSÕES EM CONFLITO

Acusado de abuso sexual nega crime após ser esfaqueado em Franca

Por Ariane Jud | Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Homem sendo socorrido pelo Samu, após levar facada .

O homem de 41 anos acusado de abusar sexualmente da própria afilhada, de 5 anos, apresentou sua versão após ser esfaqueado pela mãe da criança, de 25 anos, na avenida Major Nicácio, na região central de Franca, na segunda-feira, 24.

O acusado nega qualquer abuso e afirma que sempre cuidou das duas crianças quando a mãe precisava sair.  A última vez em que as meninas ficaram em sua casa foi no fim de semana de 15 de agosto, quando, conforme seu relato, a mãe pediu que ele e a mulher cuidassem delas porque tinha um compromisso.

O homem afirmou que trabalhou durante a madrugada como motorista de aplicativo e retornou para casa pela manhã, depois que a mulher avisou que as crianças haviam acordado e queriam tomar café.

“Fui para casa, tomei café com as crianças e minha esposa. Depois saí para levar minha sogra ao supermercado. Quem deu banho e arrumou as meninas foi minha esposa. Quando retornei para casa, a mãe já havia pegado as crianças”, afirmou.

Segundo ele, era comum as meninas passarem um ou dois dias em sua residência. O acusado também contestou a versão de que as crianças teriam ficado no local para ir à missa.

“Não era para levar à missa. Nós nem frequentamos missas devido à religião que seguimos”, disse.

De acordo com o homem, a criança retornou para a casa da mãe no domingo, dia 16 de agosto, e a acusação surgiu no dia 24.

Ele admitiu que costumava brincar com as crianças, pegando-as no colo e fazendo barulhos com a boca nos braços e no pescoço, mas negou qualquer comportamento inadequado.

“Jamais faltei com respeito com elas. Fui pai solo durante muito tempo e tenho a guarda da minha filha. Jamais faria para a filha de alguém o que não faria para a minha filha”, declarou.

Versão da mãe 

A mãe da menina, no entanto, sustenta a denúncia. Segundo ela, a filha contou na sexta-feira, 21, que teria sido vítima de abuso sexual, dias depois de passar um fim de semana na casa onde costumava ficar.

A mulher afirmou que havia deixado as duas filhas no local e que, posteriormente, a criança relatou que teria sido abusada enquanto a tia tomava banho. Segundo a mãe, a menina contou que o homem teria beijado seu pescoço e introduzido o dedo em suas partes íntimas.

Ainda conforme a mulher, a criança teria sido orientada a não contar o que havia acontecido.

Após ouvir o relato, a mãe levou a filha ao Pronto-socorro Infantil. Ela afirmou que o atendimento apontou uma lesão, mas a Prefeitura de Franca não confirmou que o exame realizado tenha comprovado abuso sexual. O caso deverá ser investigado pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher).

Discussão terminou em facadas

O homem também apresentou sua versão sobre o momento em que foi esfaqueado. Segundo ele, recebeu uma ligação da mãe da criança enquanto realizava um exame de sangue. Ela teria informado que estava passando mal e pedido ajuda para ser levada a uma unidade de saúde.

Ele afirma possuir registros das ligações e áudios e que entregou o material ao advogado.

Ao chegar ao local, estacionou o carro e percebeu que a mulher fazia sinais pedindo ajuda. Ele afirmou que se aproximou para ajudá-la e, quando se abaixou para pegá-la, foi atingido.

“Perguntei o que estava acontecendo e ela disse que eu sabia o que tinha feito. Depois falou o nome da criança e disse que eu havia feito tudo que ela está dizendo agora”, relatou.

O homem afirmou que não reagiu às agressões e apenas tentou conter o braço da mulher e tirar a faca com a ajuda de outras pessoas.

“Em momento algum, mesmo ela me esfaqueando, eu revidei ou agredi ela”, declarou.

Já a mãe apresentou uma versão diferente. Ela afirmou que foi até o local de trabalho da tia para contar pessoalmente sobre a denúncia e acabou encontrando o homem.

“Infelizmente a minha reação foi essa no momento que vi ele, não tenho sangue de barata. Não era a intenção”, afirmou.

Segundo a mulher, houve uma discussão e uma luta corporal. Ela relatou que o homem teria ido até um carro e, quando retornou, teria partido para cima dela.

“Ele foi ao carro e quando ele veio me pegar, eu estava passando mal. Eu dei as facadas que consegui, não sei quantas foram. Ele subiu em cima de mim e as que eu consegui acertar, eu acertei”, disse.

A mulher prestou depoimento na CPJ (Central de Polícia Judiciária) e foi liberada. Ela apresentava ferimentos nas mãos e no ombro após a briga.

O homem foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros, levado para a Santa Casa de Franca e recebeu alta.

As versões apresentadas pela mãe e pelo acusado são diferentes e deverão ser apuradas pelas autoridades. A suspeita de abuso sexual contra a criança está sob investigação da DDM de Franca, enquanto as circunstâncias da briga e das facadas também fazem parte da apuração policial.