19 de agosto de 2026
TRAMA

Maria Isabel alegou ameaça de abuso sexual, diz tio à DIG

Por Ariane Jud | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Maria Isabel do Prado foi filmada no dia em que levou corpos dos executores do pai para Sacramento

A Polícia Civil de Franca ouviu na terça-feira, 18, Cláudio do Prado, tio de Maria Isabel do Prado, investigado por ocultação de cadáver no caso envolvendo as mortes de Rafael Vitor de Souza Rosa, de 18 anos, e Guilherme Henrique Melo da Cruz, de 22 anos.

Os dois teriam matado o pai de Maria Isabel, a mando da própria filha.

Preso na Penitenciária de Sacramento (MG), Cláudio foi trazido a Franca para prestar depoimento em dois inquéritos conduzidos pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais): um que apura as mortes dos dois jovens e outro relacionado ao desaparecimento de Maria Isabel.

Segundo o delegado Márcio Murari, durante o depoimento, Cláudio relatou que a sobrinha havia afirmado estar sendo ameaçada pelos dois rapazes e que temia sofrer abuso sexual.

A filha Maria Isabel, o pai Milton de Souza e os supostos executores Rafael Vitor e Guilherme Henrique, também mortos

Tio relata versão apresentada por Maria Isabel

De acordo com o depoimento prestado à DIG, Maria Isabel teria procurado o tio após a morte do pai, Milton de Souza do Prado, alegando que Rafael e Guilherme passaram a ameaçá-la.

Segundo a versão apresentada por ela ao familiar, um dos rapazes teria participado da execução de Milton e, após o crime, ambos estariam fazendo ameaças e tentando constrangê-la.

“Ele confirmou que a Maria Isabel havia feito uma alegação anteriormente, dizendo que esses dois jovens, um deles era o que tinha matado o pai, que a partir de então passaram a ameaçá-la, querendo inclusive molestá-la sexualmente”, afirmou o delegado Márcio Murari.

Ainda segundo o relato de Cláudio, Maria Isabel teria dito ao tio que precisaria de ajuda para esconder os corpos caso matasse os dois.

Corpos foram levados para Sacramento

Durante o depoimento, Cláudio também confirmou ter participado da ocultação dos cadáveres.

Segundo ele, no dia 29 de junho, Maria Isabel chegou sozinha a Sacramento dirigindo seu veículo. Um dos corpos estava no banco traseiro do carro e o outro no porta-malas.

O investigado afirmou que indicou uma área isolada da zona rural do município mineiro para que os corpos fossem deixados. Conforme o depoimento, os cadáveres não foram enterrados.

“Ele disse que apenas ajudou a esconder os corpos, não participou da morte dos dois”, explicou Murari.

Cláudio declarou ainda que desconhece como Rafael e Guilherme foram assassinados. Segundo sua versão, ambos já estavam mortos quando chegaram ao local e apresentavam muito sangue na região do tórax.

Ele também afirmou não saber se Maria Isabel estava sozinha ou acompanhada quando as mortes ocorreram.

Caso começou com assassinato do pai de Maria Isabel

A investigação é um desdobramento da morte do caseiro Milton de Souza do Prado, de 44 anos, assassinado em 15 de junho em uma área nos fundos do Jardim Zanetti, em Franca.

Segundo a DIG, as investigações apontaram que Rafael e Guilherme teriam executado Milton a mando da própria filha, Maria Isabel.

Com o avanço das apurações e os pedidos de prisão dos envolvidos, a Polícia Civil passou a investigar também o desaparecimento dos dois jovens. Posteriormente, os corpos foram localizados na zona rural de Sacramento.

Cláudio acabou preso por ocultação de cadáver após a descoberta dos corpos e responde pelo crime na Justiça de Minas Gerais.

Maria Isabel segue desaparecida

Apesar das buscas realizadas pela Polícia Civil, Maria Isabel do Prado continua desaparecida.

A principal linha de investigação considera a possibilidade de que ela tenha sido sequestrada por familiares dos dois jovens mortos.

A Polícia Civil segue reunindo depoimentos, laudos e demais provas para esclarecer as circunstâncias das mortes e do desaparecimento da jovem.