A Polícia Civil de Franca ouviu na terça-feira, 18, Cláudio do Prado, tio de Maria Isabel do Prado, investigado por ocultação de cadáver no caso envolvendo as mortes de Rafael Vitor de Souza Rosa, de 18 anos, e Guilherme Henrique Melo da Cruz, de 22 anos.
Os dois teriam matado o pai de Maria Isabel, a mando da própria filha.
Preso na Penitenciária de Sacramento (MG), Cláudio foi trazido a Franca para prestar depoimento em dois inquéritos conduzidos pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais): um que apura as mortes dos dois jovens e outro relacionado ao desaparecimento de Maria Isabel.
Segundo o delegado Márcio Murari, durante o depoimento, Cláudio relatou que a sobrinha havia afirmado estar sendo ameaçada pelos dois rapazes e que temia sofrer abuso sexual.
A filha Maria Isabel, o pai Milton de Souza e os supostos executores Rafael Vitor e Guilherme Henrique, também mortos
De acordo com o depoimento prestado à DIG, Maria Isabel teria procurado o tio após a morte do pai, Milton de Souza do Prado, alegando que Rafael e Guilherme passaram a ameaçá-la.
Segundo a versão apresentada por ela ao familiar, um dos rapazes teria participado da execução de Milton e, após o crime, ambos estariam fazendo ameaças e tentando constrangê-la.
“Ele confirmou que a Maria Isabel havia feito uma alegação anteriormente, dizendo que esses dois jovens, um deles era o que tinha matado o pai, que a partir de então passaram a ameaçá-la, querendo inclusive molestá-la sexualmente”, afirmou o delegado Márcio Murari.
Ainda segundo o relato de Cláudio, Maria Isabel teria dito ao tio que precisaria de ajuda para esconder os corpos caso matasse os dois.
Durante o depoimento, Cláudio também confirmou ter participado da ocultação dos cadáveres.
Segundo ele, no dia 29 de junho, Maria Isabel chegou sozinha a Sacramento dirigindo seu veículo. Um dos corpos estava no banco traseiro do carro e o outro no porta-malas.
O investigado afirmou que indicou uma área isolada da zona rural do município mineiro para que os corpos fossem deixados. Conforme o depoimento, os cadáveres não foram enterrados.
“Ele disse que apenas ajudou a esconder os corpos, não participou da morte dos dois”, explicou Murari.
Cláudio declarou ainda que desconhece como Rafael e Guilherme foram assassinados. Segundo sua versão, ambos já estavam mortos quando chegaram ao local e apresentavam muito sangue na região do tórax.
Ele também afirmou não saber se Maria Isabel estava sozinha ou acompanhada quando as mortes ocorreram.
A investigação é um desdobramento da morte do caseiro Milton de Souza do Prado, de 44 anos, assassinado em 15 de junho em uma área nos fundos do Jardim Zanetti, em Franca.
Segundo a DIG, as investigações apontaram que Rafael e Guilherme teriam executado Milton a mando da própria filha, Maria Isabel.
Com o avanço das apurações e os pedidos de prisão dos envolvidos, a Polícia Civil passou a investigar também o desaparecimento dos dois jovens. Posteriormente, os corpos foram localizados na zona rural de Sacramento.
Cláudio acabou preso por ocultação de cadáver após a descoberta dos corpos e responde pelo crime na Justiça de Minas Gerais.
Apesar das buscas realizadas pela Polícia Civil, Maria Isabel do Prado continua desaparecida.
A principal linha de investigação considera a possibilidade de que ela tenha sido sequestrada por familiares dos dois jovens mortos.
A Polícia Civil segue reunindo depoimentos, laudos e demais provas para esclarecer as circunstâncias das mortes e do desaparecimento da jovem.