O vendedor e motorista Eder Oliveira prestou depoimento nesta segunda-feira, 17, na CPJ (Central de Polícia Judiciária) de Franca, sobre o atropelamento do aposentado Ronaldo da Silva Alves, de 61 anos. O idoso foi atingido por dois veículos na madrugada do último dia 9, na avenida Santos Dumont, na Estação, e segue internado em estado grave Santa Casa.
Eder dirigia o segundo veículo que passou sobre Ronaldo, que já estava caído no asfalto após ser atingido pelo primeiro carro. Imagens de uma câmera de segurança registraram a sequência do atropelamento.
Em entrevista após prestar depoimento na presença do advogado Rafael Barbosa, Eder afirmou que não viu o idoso na via. Segundo ele, o trecho estava escuro e ele acreditou inicialmente que havia passado sobre algum objeto. “Eu estava na via, a via escura, e infelizmente alguém entrou na via, eu desviei e atropelei o senhor”, afirmou.
Questionado se não percebeu que havia passado por cima de uma pessoa, Eder disse que não conseguiu enxergar Ronaldo. “Não, porque onde ele estava era muito escuro, então eu não cheguei a ver. Aí eu dei a volta, parei em frente à antiga Ciretran e verifiquei o que tinha acontecido com o carro, porque até então eu achei que teria sido uma pedra, alguma coisa nesse sentido”, relatou.
Ainda segundo o motorista, uma mulher que vinha atrás dele o avisou sobre o atropelamento. Eder então retornou ao local e parou nas proximidades.
“Aí uma moça veio atrás de mim e me falou. Aí eu fiz o retorno, voltei e parei perto. E aí fui sinalizar a via, fui ajudar no socorro, fiquei lá todo momento ajudando”, afirmou.
Eder contou que estava trabalhando no momento do acidente. Ele disse que havia passado a noite vendendo doces em bares e adegas. “Eu estava vendendo os meus doces. Eu vendo doces em barzinho, adegas, à noite”, disse. Questionado se estava trabalhando, respondeu: “Estava trabalhando, então não bebo, parei de fumar recentemente. Então não tem nada envolvendo bebida, essas coisas”.
Para Eder, o atropelamento foi um acidente. “Foi um acidente, sim”, afirmou. Sobre a reação ao descobrir que havia atingido uma pessoa, ele declarou: “Eu fiquei em choque, porque jamais eu queria que isso acontecesse”.
O delegado Djalma Donizete, responsável pela investigação, afirmou que a Polícia Civil aguarda os laudos periciais para esclarecer a dinâmica do atropelamento e definir a responsabilidade de cada envolvido.
“Aguardaremos os laudos periciais, que ainda estão para serem elaborados. Em contrapartida, nós vamos depois relatar esse inquérito policial e encaminhar para a Justiça”, explicou.
Segundo o delegado, Eder está sendo ouvido dentro do inquérito instaurado a partir do auto de prisão em flagrante referente ao primeiro atropelamento.
Djalma explicou que o segundo motorista poderá responder criminalmente caso a perícia indique que a passagem do veículo provocou novos ferimentos na vítima.
“Sem dúvida. O que acontece, a concausa que nós chamamos no direito, a concausa superveniente, ele responde sim, se comprovar que dentro do atropelamento dele ele causou algum ferimento nessa vítima”, afirmou.
Sobre a alegação de Eder de que retornou ao local e permaneceu nas proximidades para ajudar no socorro, o delegado disse que esse ponto também está sendo apurado. “Exatamente, se isso efetivamente ocorreu, nós estamos apurando, aparentemente isso ocorreu, ele não responderá pela omissão, porque ele retornou e teria permanecido lá no local”, disse Djalma.
Ainda não há uma definição sobre o crime que poderá ser atribuído ao segundo motorista. Segundo o delegado, isso dependerá, entre outros fatores, da evolução do estado de saúde de Ronaldo.
“Em tese, nós temos que aguardar, porque a vítima ainda está internada, nós não sabemos se será por lesão corporal e até homicídio culposo, se eventualmente essa vítima vier a falecer”, explicou.
Em relação à motorista do primeiro veículo, que atingiu Ronaldo antes do segundo atropelamento e foi presa em flagrante, o delegado afirmou que ela poderá responder por homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual.
“Ela está respondendo, provavelmente ela vai responder pelo dolo eventual, pelo crime de homicídio doloso, pelo dolo eventual”, afirmou.
A Polícia Civil agora aguarda os laudos periciais para concluir o inquérito e definir a responsabilidade de cada motorista.
Ronaldo permanece internado na Santa Casa de Franca. Segundo o filho, Rodrigo Ronaldo Alves, o aposentado passou por uma cirurgia no fêmur na última sexta-feira, 14.
O filho contou ainda que Ronaldo apresentou anemia após a cirurgia e teve episódios de febre nos últimos dias. Apesar das intercorrências, Rodrigo afirmou que o pai permanece estável“Mas é o mesmo, ele tá normal por enquanto, tá estável”, afirmou.
Segundo Rodrigo, a equipe médica também tenta reduzir a aceleração do paciente, mas ele tem ficado agitado.
Ronaldo foi socorrido por uma equipe da USA (Unidade de Suporte Avançado) do Samu e levado à Santa Casa após o atropelamento. Ele sofreu ferimentos pelo corpo, fratura na perna e na bacia e trauma na cabeça.
A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer a dinâmica dos dois atropelamentos e as responsabilidades dos envolvidos.