O investigado pela morte de Thainara Aparecida Almeida dos Reis, de 22 anos, e pela tentativa de homicídio contra Jéssica Gomes dos Santos, de 26, permaneceu em silêncio durante interrogatório realizado nesta quarta-feira, 12, na DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca.
O investigado, Alberto Nunes Rodrigues Neto, de 26 anos, está preso temporariamente e foi encaminhado à Cadeia Pública de Franca no dia em que se apresentou às autoridades, na segunda-feira, 10. Após passar por audiência de custódia, a prisão foi mantida.
Segundo o delegado responsável pela investigação Márcio Murari, Alberto foi levado novamente nesta quarta-feira, 12, à DIG para ser formalmente interrogado. Mas, acompanhado do advogado Rafael Andrade dos Santos, decidiu exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio.
“Ele aqui ia ser formalmente interrogado, ele se reservou no direito de se manifestar somente em juízo”, explicou o delegado.
Para a Polícia Civil, o silêncio do investigado dificulta o esclarecimento de pontos considerados importantes para a conclusão da investigação. O delegado afirmou que a colaboração de Alberto poderia ajudar a esclarecer a motivação do crime e quem teria informado ao suspeito que as vítimas estavam no apartamento.
“Quando o investigado colabora, apresenta fatos, isso muito ajuda a investigação policial. Há pontos importantes que nós precisamos esclarecer”, afirmou.
Entre as questões que ainda estão sendo apuradas, está justamente a possível participação de uma terceira pessoa, que teria avisado Alberto sobre a presença de Jéssica e Thainara no imóvel.
“Precisamos investigar para saber quem foi que avisou que as duas estavam no local”, disse o delegado.
Segundo ele, caso seja identificada essa pessoa e fique comprovada sua participação no crime, ela também poderá ser responsabilizada. “Na medida da sua participação, está previsto na nossa legislação penal”, completou.
A investigação também aguarda o depoimento de Jéssica, que ainda não foi ouvida pela Polícia Civil. De acordo com o delegado, questões pessoais impediram que ela prestasse depoimento até o momento. Ela já constituiu um advogado para acompanhá-la durante o procedimento.
“A Jéssica ainda não foi. Ela vai ser ouvida. Ela nomeou um advogado para acompanhar e nós estamos em contato com ele”, informou.
A Polícia Civil também encaminhará Jéssica para a realização de exame de corpo de delito, procedimento necessário para documentar as lesões sofridas durante o ataque.
O depoimento da vítima é considerado fundamental para esclarecer o crime, principalmente diante de informações de que ela e Alberto poderiam ter reatado o relacionamento e de que ele teria ido buscá-la na rodoviária antes de levá-la ao apartamento.
O delegado, porém, afirmou que a polícia ainda não pode confirmar essa versão. “Eu acho que nós temos que ouvir a Jéssica. Enquanto a Jéssica não prestar esse depoimento, precisamos ouvir da boca dela dizendo o que de fato aconteceu, porque há informações que eles estavam separados”, declarou.
Em entrevista ao Portal GCN/Sampi, Jéssica disse que não havia reatado com Alberto.
A proprietária do imóvel também já foi ouvida pelos investigadores e confirmou que o apartamento era alugado, e não de propriedade de Alberto.
A Polícia Civil deve continuar ouvindo testemunhas e pessoas que possam contribuir para o esclarecimento do caso. Alguns depoimentos já foram colhidos e, segundo o delegado, trouxeram informações relevantes para a investigação.
A expectativa é que Alberto permaneça em silêncio durante a fase policial e só apresente sua versão dos fatos perante a Justiça.
A investigação segue para esclarecer a motivação do ataque, a dinâmica dos acontecimentos e uma possível participação de terceiros.
O advogado de defesa Rafael andrade dos santos de Alberto Nunes Rodrigues Neto, investigado pela morte de Thainara Aparecida Almeida dos Reis e pela tentativa de homicídio contra Jéssica Gomes dos Santos, afirmou que o cliente decidiu permanecer em silêncio durante o interrogatório realizado na DIG de Franca.
Segundo o advogado, a decisão foi tomada diante da complexidade do caso e da repercussão gerada pelos crimes. “A defesa se sensibiliza pelos familiares das vítimas. O Alberto exerceu seu direito constitucional de ficar em silêncio, em razão da complexidade e da comoção social que tem o caso também”, afirmou.
O defensor disse ainda que não pretende antecipar a estratégia da defesa e que Alberto deverá apresentar sua versão dos fatos no momento considerado adequado, durante o processo judicial. “A defesa não vai falar sobre o caso até o momento oportuno, que seja em juízo, com o contraditório devido ao processo legal”, declarou.
Questionado sobre a estratégia que será adotada, o advogado preferiu não dar detalhes. “Por enquanto, a gente não pode antecipar nada”, disse.
O advogado também afirmou que Alberto está emocionalmente abalado e que teria demonstrado arrependimento. “Ele está abalado, ele está arrependido, mas por enquanto é o que eu posso adiantar para vocês”, afirmou.