A calçada, que deveria ser um espaço de proteção para quem está a pé, também virou cenário de tragédias no trânsito de Franca em 2026. Desde janeiro, dois idosos morreram após serem atropelados em calçadas da cidade e uma jovem de 24 anos precisou amputar uma das pernas depois de ser atingida por um carro no Centro.
Os três casos aconteceram em circunstâncias diferentes, mas têm um ponto em comum: as vítimas estavam fora da pista destinada aos veículos quando foram atingidas.
A primeira morte do ano aconteceu logo nos primeiros dias de janeiro. José Luiz Mendonça, de 70 anos, morreu na noite de 1º de janeiro, após ser atropelado no Jardim Aeroporto III.
O acidente aconteceu por volta das 18h, na rua Julieta Mendes Enciso. José Luiz estava sentado na porta de casa, na calçada, como costumava fazer diariamente, quando foi atingido.
Segundo as informações apuradas na época, o motorista de uma Ford EcoSport desrespeitou uma sinalização de parada obrigatória e avançou o “pare”. O veículo atingiu uma motocicleta que trafegava pela via preferencial. Com o impacto, o motociclista perdeu o controle e acabou atingindo José Luiz, que estava na calçada.
O idoso e o motociclista foram socorridos ainda com vida e levados para a Santa Casa de Franca. José Luiz, porém, não resistiu aos ferimentos e morreu por volta das 23h. O condutor da EcoSport fugiu do local sem prestar socorro. A Polícia Civil registrou e investigou o caso.
Cinco meses depois, em 10 de junho, outra ocorrência chamou atenção para o risco de quem está na calçada.
Kamila Gabriela Santos da Silva, de 24 anos, caminhava pela rua Couto Magalhães, no Centro de Franca, acompanhada de duas amigas, quando as três foram atingidas por um carro desgovernado.
As amigas sofreram ferimentos leves e não precisaram de atendimento médico. Kamila, porém, teve as pernas prensadas contra a parede de um imóvel pelo veículo.
Ela foi socorrida pelo Samu em estado grave e encaminhada ao Centro Cirúrgico da Santa Casa. Por causa da gravidade dos ferimentos, os médicos precisaram amputar uma das pernas. A jovem teve alta e se recupera em casa. Kamila é mãe de quatro crianças.
O acidente foi registrado pelo Pelotão de Trânsito da Polícia Militar e passou a ser investigado pela Polícia Civil. A principal hipótese levantada na época era de que uma falha mecânica nos freios havia provocado a perda de controle do veículo conduzido por uma motorista de 33 anos.
A sequência voltou a se repetir nesta semana. Na terça-feira, 4 de agosto, Valdira Silva Museti, de 84 anos, morreu após ser atropelada na Vila Santo Antônio.
O acidente aconteceu na rua Santo Antônio. De acordo com a Polícia Militar, a motorista seguia pela rua Álvaro Abranches e, ao entrar na Rua Santo Antônio, tentou desviar de uma motocicleta. Durante a manobra, perdeu o controle da direção, invadiu a calçada e atingiu Valdira, que caminhava pelo local.
Antes de parar, o veículo ainda bateu em dois carros que estavam estacionados.
Com o impacto, a idosa foi arremessada contra o muro de um imóvel. Ela sofreu traumatismo craniano e uma fratura em um dos braços. Valdira foi socorrida pelo Samu e levada em estado grave para a Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos.
Valdira era mãe da empresária Silvana Silva Museti Duzi, proprietária da Pharmacinha. A empresa publicou uma nota de pesar após a morte e informou que não haveria expediente no dia seguinte em homenagem à vítima.
Os três episódios mostram que o risco no trânsito não está restrito a quem dirige ou circula pelas ruas. Em diferentes situações, veículos acabaram atingindo pessoas que estavam na calçada — seja por uma colisão, perda de controle ou uma manobra que terminou fora da pista.
São três histórias diferentes, mas que deixam o mesmo alerta: para quem está a pé, nem sempre a calçada representa segurança diante de um veículo que perde o controle.
Os casos também reforçam a importância da atenção, do respeito à sinalização e da manutenção dos veículos para evitar que situações no trânsito terminem atingindo quem não está sequer na pista.