Uma mulher de 23 anos denunciou à Polícia Civil uma suposta agressão contra os dois filhos, de 5 e 2 anos, em uma residência onde funciona, de forma improvisada, um serviço de cuidados infantis no Jardim Luíza, em Franca. O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária e deverá ser encaminhado à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), responsável pela investigação.
Vitória Aguiar, procurou o plantão policial no último sábado, 1º, após conversar com as crianças ao buscá-las na casa da cuidadora.
Segundo ela, a filha de 5 anos contou que o companheiro da babá, identificado como Itanael, teria dado chutes em suas pernas. Já o outro filho, de 2 anos, que é autista, relatou que foi empurrado e recebeu chutes na perna direita, agressões que o fizeram cair no chão.
Conforme o boletim, a mãe questionou o homem sobre as acusações. Segundo o relato, ele confirmou que havia chutado as crianças, mas alegou que tudo não passou de uma "brincadeira".
Vitória informou ainda que a residência possui câmeras de monitoramento. No entanto, ao solicitar as imagens à cuidadora, identificada como Paula, foi informada de que o sistema não havia registrado o horário em que as supostas agressões teriam ocorrido. O mesmo relato consta no boletim de ocorrência.
Após registrar a ocorrência, a mãe foi orientada a levar os filhos para atendimento médico e recebeu as requisições para exames de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal).
Em entrevista ao Portal GCN/Sampi, Vitória afirmou que cada criança permanecia meio período no local pelo valor de R$ 280 mensais, quantia que incluía almoço e café da tarde.
Segundo ela, em um grupo de mensagens utilizado pela cuidadora para enviar fotos às famílias, foram compartilhadas imagens mostrando as crianças se alimentando apenas com arroz e mortadela.
A mãe também disse que os filhos relataram sentir fome enquanto permaneciam na casa e que a cuidadora teria orientado as crianças a "comerem em casa".
Segundo Vitória, a babá Paula atua há anos na região do Jardim Luíza e é conhecida por cuidar de crianças. Ela afirma que o atendimento era realizado em uma residência, com o auxílio de uma filha da cuidadora.
Após tornar o caso público nas redes sociais, Vitória disse ter sido procurada por outras mães que relataram situações semelhantes envolvendo o local. Entre os relatos recebidos, segundo ela, estão crianças que demonstravam medo de permanecer na residência, episódios de choro, gritos e outras denúncias de supostas agressões.
A Polícia Civil registrou a ocorrência e deverá aprofundar as investigações para esclarecer os fatos e apurar eventual responsabilidade dos envolvidos. Até o momento, não há informação complementares.
O Conselho Tutelar foi procurado para comentar o caso, mas os conselheiros estavam em reunião na manhã desta terça-feira, 4. Foi orientado para a equipe de reportagem retornar o contato no período da tarde.
A reportagem do Portal GCN/Rede Sampi entrou em contato com Paula, mas ela preferiu não se manifestar sobre o caso. Disse que aguardaria instruções de sua advogada.