03 de agosto de 2026
ARENA GCN

Tebet critica família Bolsonaro em Franca: 'tal pai, tal filho'

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Sampi/Franca
Pedro Dartibale/GCN
Simone Tebet durante entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr., no Arena GCN

A candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), fez duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. Segundo ela, o parlamentar reproduz a mesma postura política do pai. Durante entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr., do Portal GCN/Sampi, no podcast Arena GCN, a ex-ministra do Planejamento e Orçamento também condenou a disseminação de fake news, criticou o uso político da religião e comentou os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, com reflexos para a indústria calçadista, o etanol e o agronegócio.

"Tal pai, tal filho", diz Tebet sobre Flávio Bolsonaro

Ao explicar por que declarou apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2022, Simone Tebet afirmou que sua decisão foi motivada pela rejeição ao projeto político representado por Jair Bolsonaro. A candidata ao Senado também disse enxergar no senador Flávio Bolsonaro a continuidade da postura adotada pelo ex-presidente.

"Eu fui colega do Flávio quatro anos. Essas coisas que ele está falando têm me assustado. Jovem, tão jovem, já com a mesma mentalidade equivocada do pai. Então eu falo e repito: tal pai, tal filho."

Para Simone Tebet, Jair Bolsonaro demonstrou falta de compromisso com a democracia ao colocar em dúvida a credibilidade do sistema eleitoral e pela postura adotada após os atos de 8 de janeiro. "Eu tinha convicção de que as urnas não levariam para o segundo turno dois democratas. Só havia um democrata, porque Bolsonaro não era democrata e mostrou depois, em janeiro, com essa tentativa de golpe."

Ela também questionou as críticas do ex-presidente às urnas eletrônicas. "Se as urnas não são seguras, como eles foram eleitos? Flávio foi eleito senador, Bolsonaro foi eleito presidente da República. Então as urnas só são seguras quando eles ganham?"

Bolsonarismo, direitos humanos e pauta das mulheres

Ao comentar sua trajetória política, Simone Tebet afirmou que sempre manteve posições favoráveis aos direitos humanos, independentemente de ser identificada como uma política de centro-direita na economia. "Na pauta de costumes e de direitos humanos, eu sempre votei contra armas, a favor dos direitos das mulheres e das minorias. Basta olhar meu histórico no Senado."

Ela também deixou claro que nunca apoiou Jair Bolsonaro eleitoralmente e justificou essa posição por declarações do ex-presidente sobre mulheres e pessoas LGBTQIA+. "Eu sabia quem era Bolsonaro desde o começo. Ele dizer que uma mulher não merece ser estuprada porque é feia, para mim, é o máximo do comportamento irracional. (Ou dizer que preferia ter) um filho morto a um filho homossexual."

Segundo a candidata, essas declarações sempre impediram qualquer aproximação política com o então presidente.

Fake news e negacionismo

Outro tema foi a disseminação de desinformação. Tebet afirmou que o bolsonarismo construiu uma narrativa baseada em notícias falsas e negacionismo.

"O que eu acho pior é a lavagem cerebral que se faz na extrema direita, do negacionismo, das fake news e das mentiras. Eles falam tantas vezes que começam a acreditar que são verdades."

Ela citou como exemplo as narrativas envolvendo as urnas eletrônicas e também notícias falsas disseminadas durante campanhas eleitorais. "Mostra-me uma escola que distribuiu kit para ensinar alguém a ser gay. Isso nunca existiu, mas as pessoas continuavam repetindo."

Na avaliação da ex-ministra, esse processo influenciou principalmente parte da população do interior do país. "O que me espanta é como parte da população conseguiu ser sequestrada na sua mente por essas narrativas."

“O Deus deles é o Deus do ódio”, diz Simone

Durante a entrevista, Simone Tebet, que se declarou cristã, também criticou o uso político da religião nas eleições. Segundo ela, parte das fake news ganhou força dentro de ambientes religiosos. "Eles conseguiram plantar, talvez mais dentro das igrejas evangélicas do que dentro da Igreja Católica, mentiras e fake news que colaram."

Ao comentar o lema frequentemente associado ao bolsonarismo, ela fez uma crítica direta ao discurso religioso utilizado por seus adversários. "Vamos resumir essa conversa. Qual é o lema dos bolsonaristas? Deus, pátria e família. O Deus deles é o Deus do ódio. É o Deus das redes sociais que fala que quem é diferente não merece nem viver, que quem é diferente tem que ser banido. É esse o Deus deles. O Deus que mente. O nosso Deus, não", declarou.

Ainda segundo Tebet, a instrumentalização da religião contribuiu para aprofundar a polarização política. "Tenho sentido, ao longo desses quatro anos, um cansaço imenso da população com essa polarização. Estou vendo também, mesmo dentro de segmentos da igreja, um afastamento do bolsonarismo", afirmou.

Tarifaço dos Estados Unidos

A candidata também comentou as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e classificou as medidas como prejudiciais à indústria nacional.

Ela destacou que um dos argumentos utilizados pelos americanos foi a suposta existência de trabalho escravo na cadeia produtiva brasileira. Segundo Tebet, a medida afeta diretamente setores importantes da economia paulista.

Tebet também criticou o que classificou como contradição entre o discurso nacionalista do bolsonarismo e a postura adotada diante das relações comerciais com os Estados Unidos. De acordo com ela, enquanto o grupo afirma defender a pátria, apoiou medidas que, na avaliação da candidata, prejudicam setores estratégicos da economia brasileira e colocam em risco riquezas minerais do país.

"A pátria deles é estrangeira. Eles falaram assim: 'Se eu ganhar, toma aqui o Brasil, as terras raras', que são a nossa grande riqueza, o novo pré-sal do Brasil. Não pode acontecer igual ao Brasil Colônia, onde o ouro está nas igrejas maravilhosas da Europa e nós ficamos um país subdesenvolvido durante séculos. Nós temos que minerar com responsabilidade, mas dizer o seguinte: nós não temos a tecnologia? É verdade. Então vem o capital estrangeiro, da China, da Ásia, dos Estados Unidos, da Europa, mas sobre as nossas regras, com uma indústria aqui, produzindo aqui, gerando emprego, gerando renda e trazendo capital para cá", afirmou.

Na sequência, a ex-ministra voltou a relacionar essa discussão aos efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. "A pátria deles não é essa. Eles foram lá estimular tarifaço contra as usinas de álcool daqui da região. Olha o que está acontecendo com as indústrias calçadistas", disse.

Para ela, as tarifas reduzem a competitividade dos produtos brasileiros e atingem segmentos que geram emprego e renda. "Como é que a agroindústria acredita nisso? Como é que o setor produtivo acredita nisso?", questionou.

Ao longo da entrevista, Simone Tebet também voltou a defender a soberania nacional e afirmou que o Brasil deve manter relações comerciais internacionais preservando seus interesses econômicos.