A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) concluiu o inquérito sobre a tentativa de homicídio registrada na noite de 21 de julho, em um estacionamento às margens da avenida Chico Júlio, na Vila Exposição, em Franca. O comerciante Wanderson da Costa Silva, de 43 anos, conhecido como "Zam", foi indiciado por dupla tentativa de homicídio qualificada após atropelar um casal que trabalhava em um carrinho de churros.
Segundo a investigação, o caso teve início após uma discussão motivada por uma suposta denúncia à Prefeitura de Franca. O comerciante acreditava que as vítimas teriam participado da denúncia que resultou na fiscalização e no fechamento de seu estabelecimento.
As vítimas são Márcio Luciano de Souza, de 49 anos, proprietário do carrinho de churros, e a mulher dele, Irislene Costa de Macêdo, de 55 anos. Irislene sofreu ferimentos graves ao ser atingida pelo veículo e, por isso, ainda não prestou depoimento à Polícia Civil.
Na época dos fatos, Wanderson foi preso em flagrante por tentativa de homicídio. Posteriormente, o inquérito foi encaminhado ao setor de homicídios da DIG, que deu continuidade às investigações com a oitiva de testemunhas, pessoas indicadas pela defesa e a análise de laudos periciais.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Márcio Murari, as provas reunidas confirmaram a intenção do investigado. "Recebemos os laudos necessários para o encerramento do inquérito e ficou comprovado, no curso das investigações, que todas as atitudes que ele tomou naquele dia, na condução do veículo, jogando o carro sobre as vítimas, caracterizaram, de fato, uma dupla tentativa de homicídio."
O delegado afirmou ainda que a motivação do crime também foi esclarecida durante a apuração. "Pelo que pudemos apurar, tudo leva a crer que foi realmente o fechamento do seu estabelecimento comercial. Segundo pessoas ouvidas, isso teria ocorrido após uma denúncia feita à Prefeitura, que constatou irregularidades e determinou o fechamento. A partir daí, ele acreditava que essas pessoas seriam responsáveis e acabou cometendo o delito."
Durante a investigação, a mulher e a filha do investigado também prestaram depoimento. No entanto, o delegado informou que o conteúdo das declarações não será divulgado. "Tanto ela quanto a filha prestaram depoimento, mas preferimos não divulgar o que disseram. O que constatamos é que elas estavam, inclusive, dentro do veículo no momento dos fatos."
Irislene ainda não foi ouvida oficialmente porque segue em recuperação. De acordo com a Polícia Civil, seu depoimento será colhido quando houver condições médicas.
Com a conclusão do inquérito, a DIG manteve a tipificação adotada no momento da prisão. "O caso foi tipificado como dupla tentativa de homicídio qualificada. Mantivemos esse entendimento e encaminhamos o inquérito para a Vara do Júri."
O inquérito já foi encaminhado à Vara do Júri da Comarca de Franca. Agora, caberá ao Ministério Público analisar as provas e decidir sobre o oferecimento da denúncia para o início da ação penal.