A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca prendeu, nesta sexta-feira, 31, duas mulheres investigadas por participação no sequestro da família de Maria Isabel Prado, de 21 anos, desaparecida desde o mês passado. Segundo o delegado Márcio Murari, a principal prioridade da força-tarefa é localizar a jovem, "viva ou morta", além de cumprir os mandados de prisão pendentes e concluir as investigações.
As prisões ocorreram após a Justiça decretar a prisão preventiva de três investigadas. Foram capturadas Larissa Jhenifer Melo de Paula, tia de Guilherme Henrique Melo da Cruz, e Kauany Eduarda Melo Cruz, de 18 anos, irmã de Guilherme. Apesar do avanço, a Polícia Civil afirma que a investigação está longe de ser concluída.
"A participação de todas envolvidas é no arrebentamento da família no dia do sequestro. Agora a gente vai tentar localizar a Maria Isabel viva ou morta. Essa é a nossa principal meta da nossa investigação e, claro, tentar localizar as outras envolvidas nesse caso", afirmou o delegado Márcio Murari.
Kauany foi localizada na casa da avó, no Jardim Aeroporto III, em Franca. Já Larissa foi presa enquanto tentava fugir de motocicleta pela rodovia Cândido Portinari, sendo abordada nas proximidades da praça de pedágio de Restinga.
Outras duas investigadas continuam sendo procuradas pela Polícia Civil: Noemi Vitória de Sousa Rosa, apontada como líder do grupo, e Marcela Eduarda Melo de Paula, mãe de Guilherme Henrique Melo da Cruz.
Segundo Murari, as duas mulheres presas permaneceram em silêncio durante o depoimento.
Nos casos de Ana Laura de Sousa Rosa Alves e Kelly Cristina Queiroz, a Justiça reconheceu a existência de fundamentos para a prisão preventiva, mas substituiu a medida por prisão domiciliar. A decisão considerou que ambas têm filhos menores de idade. Kelly também é mãe de uma criança com diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista) e TOD (Transtorno Opositivo Desafiador). As duas deverão usar tornozeleira eletrônica e cumprir outras medidas cautelares.
De acordo com o inquérito da DIG, Noemi Vitória de Sousa Rosa é apontada como responsável por liderar o grupo que sequestrou Maria Isabel, a mãe dela, a irmã e uma recém-nascida.
Já Marcela Eduarda Melo de Paula, Larissa Jhenifer Melo de Paula e Kauany Eduarda Melo Cruz teriam participado diretamente das abordagens, do transporte das vítimas e da manutenção do cárcere privado.
Segundo a investigação, o grupo exigia informações sobre o paradeiro de Rafael Vitor Silva de Sousa Rosa e Guilherme Henrique Melo da Cruz, desaparecidos desde o fim de junho e encontrados mortos dias depois em uma área rural de Sacramento (MG).
A investigação teve início em 16 de junho, quando o caseiro Milton de Souza Prado, de 44 anos, foi encontrado morto na chácara onde trabalhava, em Franca, com graves ferimentos na cabeça.
Inicialmente tratada como testemunha, Maria Isabel confessou posteriormente que havia levado Rafael Vitor Silva de Sousa Rosa, de 18 anos, e Guilherme Henrique Melo da Cruz, de 22 anos, até a propriedade para "dar um susto" no pai. Segundo a Polícia Civil, os dois mataram Milton durante as agressões.
Dias depois, Rafael e Guilherme desapareceram.
Durante a apuração desse desaparecimento, a DIG descobriu que Maria Isabel, a mãe, a irmã e uma bebê de apenas 15 dias haviam sido sequestradas e mantidas em cárcere privado em uma residência no Jardim Aeroporto III.
A mãe, a irmã e a recém-nascida foram resgatadas, mas Maria Isabel desapareceu logo após a operação policial e nunca mais foi encontrada.
Dois dias depois, os corpos de Rafael e Guilherme foram localizados em uma área rural de Sacramento (MG). A investigação aponta que ambos foram mortos em Franca e tiveram os corpos levados para Minas Gerais.
Na sequência, o carro utilizado por Maria Isabel foi encontrado completamente queimado em uma propriedade rural próxima a Ibiraci (MG). Para a Polícia Civil, o veículo pode ter sido usado para transportar os corpos antes de ser incendiado na tentativa de destruir provas.
Com duas investigadas presas e outras duas foragidas, a DIG mantém as buscas para cumprir os mandados expedidos pela Justiça e esclarecer os últimos pontos da investigação.
Além da captura das suspeitas que seguem foragidas, a prioridade da força-tarefa é localizar Maria Isabel, considerada peça central para o esclarecimento da sequência de crimes investigada pela Polícia Civil.