28 de julho de 2026
INVESTIGAÇÃO

DIG aponta escalada de intimidações contra advogados de Franca

Por Giovanna Attili | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Giovanna Attili/GCN
Delegado Márcio Murari, titular da DIG, durante entrevista à Rádio Difusora

A Polícia Civil está na fase final de um segundo inquérito que investiga a série de ameaças e ataques contra advogados em Franca e poderá indiciar novos envolvidos. Em entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr., no programa A Hora É Essa!, da Rádio Difusora, o delegado Márcio Murari, chefe da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), afirmou que a investigação aponta uma escalada das intimidações, que passaram a atingir também familiares de advogados.

O caso ganhou repercussão em 1º de junho, quando o escritório MVB Advogados, no Jardim Piratininga, foi alvo de um ataque incendiário durante a madrugada. Câmeras de segurança registraram o momento em que um homem desceu de um veículo, despejou um líquido inflamável na fachada de madeira do imóvel e ateou fogo antes de fugir.

Na época, os sócios do escritório afirmaram acreditar que o atentado estava relacionado a uma sequência de ameaças sofridas após a atuação em uma disputa judicial. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Franca repudiou o ataque e passou a acompanhar o caso, com apoio da OAB São Paulo.

Primeiro inquérito foi arquivado

Segundo Murari, antes dos episódios recentes a Polícia Civil instaurou um primeiro inquérito para apurar ameaças. O procedimento foi concluído e encaminhado ao Judiciário, mas acabou arquivado após a Justiça entender que, embora as ameaças existissem, não apresentavam potencial concreto para serem cumpridas.

“O primeiro inquérito foi encaminhado ao Fórum, mas a Justiça entendeu que as ameaças não seriam tão sérias. Considerou que eram ameaças, mas que seriam uma bravata”, afirmou.

Novas ameaças ampliaram investigação

Com o surgimento de novos episódios, considerados mais graves, a Polícia Civil abriu um segundo inquérito, que está em fase final de conclusão. “Nós temos um segundo inquérito policial em andamento. Esse segundo inquérito está em vias finais, inclusive de indiciamento”, disse o delegado.

De acordo com Murari, além das ameaças direcionadas aos advogados, o procedimento também apura intimidações contra familiares.

A investigação aponta ainda uma mudança na forma de atuação. Segundo o delegado, nos primeiros casos, o suspeito fazia as ameaças pessoalmente. Já nos episódios mais recentes, há indícios da participação de terceiros na execução dos ataques.

“Nos dois primeiros, ele coloca a cara. Só que, nesses dois últimos, não. São terceirizados que vão lá e praticam esses crimes, que nós estamos agora investigando e colhendo provas”, afirmou.

Autores ainda são procurados

Murari informou que a DIG trabalha para identificar os responsáveis pelos ataques mais recentes.

No caso do incêndio criminoso contra o escritório MVB Advogados, há imagens que mostram o veículo utilizado e o homem que ateou fogo na fachada. Em outro episódio, também existem imagens de um motociclista, mas, até o fechamento deste texto, os autores ainda não foram identificados.

“Não sabemos ainda os veículos nem as pessoas. Na moto, ele tampa a placa. Nós estamos ainda na fase de investigação, mas acredito que vamos identificar”, disse.

Polícia teme agravamento dos crimes

Durante a entrevista, o delegado afirmou que a principal preocupação da Polícia Civil é que a sequência de ameaças evolua para crimes ainda mais graves. “O medo nosso é esse”, resumiu.

Segundo Murari, uma equipe da DIG atua continuamente para identificar os envolvidos o mais rápido possível. Ele informou ainda que encaminhou um relatório à OAB São Paulo, que acompanha o andamento das investigações.

As investigações seguem sob responsabilidade da DIG de Franca.