A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca utilizou IA (Inteligência Artificial) como ferramenta de apoio nas investigações sobre o desaparecimento de Tiago Gomes Pereira, de 26 anos. Segundo o delegado Márcio Murari, a tecnologia analisou todas as informações reunidas no inquérito e apontou um cenário compatível com a principal linha investigativa: a de que o jovem possa ter sofrido um acidente no Parque Estadual Furnas do Bom Jesus, em Pedregulho.
A informação foi revelada por Murari durante entrevista ao programa A Hora É Essa!, da Rádio Difusora, apresentado pelo jornalista Corrêa Neves Jr. De acordo com o delegado, os investigadores reuniram todos os dados obtidos desde o desaparecimento de Tiago e os inseriram em um sistema de inteligência artificial, que cruzou as informações e apresentou um resultado alinhado ao que já vinha sendo apurado.
O delegado, no entanto, ressaltou que a análise produzida pela ferramenta não integra oficialmente o inquérito e não possui valor probatório. Segundo ele, a inteligência artificial funciona apenas como um recurso de apoio às investigações.
“Os investigadores que estão no caso pegaram todas as informações e a inteligência artificial colheu esses dados. Ao final, ela apresentou um resultado indicando que ele estaria perdido na área de mata. Claro que isso não é uma conclusão da investigação oficial, mas é uma linha que pode ser trabalhada”, afirmou.
Um dos elementos que sustentam essa hipótese é o depoimento de um amigo de Tiago, ouvido recentemente pela DIG. Conforme Murari, a última conversa entre os dois ocorreu pouco antes do desaparecimento, quando o jovem informou que pretendia descer até a Cachoeira do Chalé.
“O último que nós ouvimos é um amigo dele. Ele disse textualmente: ‘Eu vou descer na Cachoeira do Chalé’. O amigo respondeu que o local era perigoso, mas ele insistiu que precisava descer”, relatou.
Segundo o delegado, o amigo afirmou ter certeza de que Tiago realmente seguiu em direção à cachoeira, considerada uma área de difícil acesso. Apesar das buscas realizadas pelo Corpo de Bombeiros, a extensão da mata dificulta a localização.
“O amigo disse que tem certeza de que ele desceu para lá. É uma cachoeira muito perigosa, de difícil acesso. O Corpo de Bombeiros fez todas as buscas, mas é uma área gigantesca. Pode ter acontecido um acidente”, disse.
Murari informou que outras linhas investigativas foram analisadas e posteriormente descartadas. Entre elas está a possibilidade de ligação entre o desaparecimento de Tiago e os irmãos presos em Minas Gerais, apesar de um veículo utilizado por eles ter sido alugado em nome do jovem.
A hipótese de crime passional também foi afastada. Segundo o delegado, pessoas próximas a Tiago, incluindo um possível namorado, prestaram depoimento à DIG, mas nenhuma das oitivas apresentou contradições ou indicativos da participação de terceiros no desaparecimento.
Tiago Gomes Pereira desapareceu em 21 de junho, após entrar sozinho no Parque Estadual Furnas do Bom Jesus para realizar uma trilha. Apaixonado pela natureza, ele costumava frequentar o local e registrar suas visitas às cachoeiras e trilhas da região.
Desde o desaparecimento, equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil e voluntários realizaram buscas com apoio de cães farejadores, drones e do helicóptero Águia. Até o momento, nenhum vestígio do jovem foi localizado, e as investigações continuam.