13 de setembro de 2026
TERROR

A noite em que Franca entrou na rota de um serial killer

Por Giovanna Attili | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Giovanna Attili/GCN
Edição do Comércio da Franca de 23 de novembro de 1999

Uma morte surpreende os moradores de uma cidade consideravelmente tranquila como Franca. Um suicídio é espantoso aos ouvidos da população. Um assassinato gera curiosidade. Dois geram aflição. O que faria um assassinato em série? Em uma noite de segunda-feira, 22 de novembro de 1999, Franca se deparava com a morte de uma criança de 8 anos; mais uma das vítimas do posteriormente conhecido “Monstro de Rio Claro“.

Jéssica Alves Martins, de 8 anos, estampou a capa da edição do Comércio da Franca logo na madrugada de terça-feira, 23. A matéria assinada pelo jornalista Sérgio Marques continha detalhes de como e onde o corpo foi encontrado, além do relatório do médico legista Antônio Peixe Júnior, obtido com exclusividade pelo jornal, que indicava que Jéssica foi sufocada até a morte, além de ter sido vítima de violência sexual antes de ser assassinada.

Desaparecida desde o domingo, 21, a criança foi encontrada seminua, apenas com uma blusa e a calcinha; sua saia foi encontrada nas proximidades.

Várias vítimas na região

O conhecido “Monstro de Rio Claro“ foi identificado como Laerte Patrocínio Orpinelli, nascido e criado em Araras (SP). Durante as décadas de 1980 e 1990, ele passou por cidades do interior paulista fazendo suas vítimas. Além de Franca, vítimas foram registradas em Rio Claro, Pirassununga, Bauru, São Carlos, Monte Alto, Itu, Potirendaba, Araraquara, entre outras.

Após ser preso, Laerte admitiu o rapto, estupro e assassinato de inúmeras crianças.

Visita ao trauma do passado

Em 2013, o já editor Sérgio Marques revisitou o local onde foi encontrado o corpo de Jéssica. Em seu texto “De um campinho de terra para o coração“, publicado no Portal GCN, ele relembrou o episódio com detalhes de sua vivência pessoal.

Sérgio contou que, na ocasião, sua primeira filha havia nascido e estava com um ano e nove meses, e ele e sua mulher faziam os preparativos para uma festa de aniversário da filha.

Ao saber que a Jéssica havia sido encontrada, Sérgio acionou um fotógrafo e foi ao local. “Cheguei antes da polícia. Nunca havia me sentido tão incomodado. Pude ver o corpo seminu, gélido, jogado no meio do mato. Não consegui impedir que meus pensamentos se voltassem para minha filha“, relatou no texto.

Foram horas de trabalho até que a informação da causa da morte fosse confirmada pelo médico legista.

“Escrever aquela matéria foi a situação mais difícil que vivi até hoje como repórter. Em casa, desde então, estabeleci um novo ritual. Sempre, ao chegar do serviço, passo no quarto de minha filha com a intenção de conferir se ela está bem“, disse.

A condenação de Laerte

Em seu texto, Sérgio descreveu o modo de agir de Orpinelli. Segundo ele, o assassino andava de bicicleta pela periferia de uma cidade e abordava crianças com idade entre 3 e 11 anos e, para convencê-las, oferecia balas e doces. O processo era sempre o mesmo; ele às raptava, abusava sexualmente e matava, na maioria das vezes, por asfixia.

Laerte foi condenado por estupro e assassinato de 10 crianças em Rio Claro, Franca, Monte Alto e Pirassununga, gerando uma pena que ultrapassava mais de 100 anos. Ele morreu na prisão em janeiro de 2013.

Problema do passado segue em pauta até os dias atuais

Na matéria publicada em 1999, moradores da região da Vila Santa Terezinha, onde o crime aconteceu, reclamavam de um problema que ainda gera constantes reclamações nos dias atuais. Uma mulher que pediu para não ser identificada na ocasião apontou o fato.

“O mato é grande e os viciados infestam o bairro. Além disso, várias casas da rua Mestre Inácio já foram furtadas. E agora isso“, relatou.