O psicólogo e arteterapeuta Caíque Tostes, fundador da Casa Amarela, foi convidado a apresentar os resultados do trabalho desenvolvido pela instituição durante o tradicional Grupo de Estudos do Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro. O convite reconhece a relevância da experiência construída em Franca e aproxima a instituição de um dos mais importantes espaços brasileiros dedicados ao estudo da relação entre arte e saúde mental.
Criado em 1954, o Grupo de Estudos nasceu dos encontros promovidos pela psiquiatra Nise da Silveira com estudantes e profissionais interessados em compreender o processo psíquico por meio das imagens produzidas espontaneamente nos ateliês terapêuticos do Museu de Imagens do Inconsciente.
Ao longo de mais de sete décadas, o grupo consolidou-se como um dos mais antigos núcleos de estudos em Psicologia Analítica em atividade no país, reunindo pesquisadores, clínicos e profissionais que investigam as conexões entre arte, subjetividade e cuidado em saúde mental.
É nesse espaço, responsável por preservar e difundir o pensamento de Nise da Silveira, que Caíque Tostes compartilhará a experiência construída pela Casa Amarela em Franca.
Fundada com a proposta de aproximar a arte do cuidado psicológico, a Casa Amarela desenvolve um trabalho que integra psicoterapia, arteterapia, grupos terapêuticos, ações culturais e projetos voltados à promoção da saúde mental em diferentes contextos sociais.
Nos últimos anos, a instituição estruturou uma metodologia própria, que compreende a produção artística não como uma atividade recreativa ou um recurso complementar, mas como uma linguagem capaz de revelar aspectos profundos da experiência humana, favorecer processos de simbolização e ampliar as possibilidades de cuidado.
Segundo a instituição, essa abordagem dialoga diretamente com os princípios defendidos por Nise da Silveira, que revolucionou a psiquiatria brasileira ao reconhecer a expressão artística como um caminho para acessar dimensões do psiquismo e transformar as práticas de assistência em saúde mental.
O convite coloca a produção desenvolvida pela Casa Amarela em um importante circuito nacional de pesquisa e reflexão sobre arte, psicologia analítica e saúde mental.
Para uma instituição sediada no interior paulista, a participação representa mais do que visibilidade. Ela sinaliza o reconhecimento de que a experiência construída em Franca alcançou maturidade clínica e teórica para dialogar com um espaço que, há mais de 70 anos, reúne pesquisadores e profissionais dedicados à continuidade da obra de Nise da Silveira.
Além disso, a apresentação amplia a circulação de uma prática desenvolvida fora dos grandes centros, permitindo que ela seja compartilhada com especialistas de diferentes regiões do país.
Embora o convite tenha sido direcionado ao fundador da Casa Amarela, a apresentação também simboliza o trabalho coletivo desenvolvido pela equipe da instituição.
Atualmente, cinco profissionais conduzem as atividades terapêuticas, culturais e pedagógicas, articulando psicologia, arteterapia, educação e produção cultural. O reconhecimento recebido junto ao Museu de Imagens do Inconsciente reflete, segundo a instituição, o compromisso compartilhado da equipe com práticas de cuidado fundamentadas na potência transformadora da arte.
A apresentação será realizada no dia 25 de agosto de 2026, às 11h, durante a programação do Grupo de Estudos do Museu de Imagens do Inconsciente. A transmissão será online e gratuita, por meio do canal oficial do Museu no YouTube, permitindo que profissionais da saúde, estudantes e interessados de todo o país acompanhem a experiência desenvolvida pela Casa Amarela em Franca.