12 de julho de 2026
LUTO

Morre Rogério Mantovani Naldi, treinador de cachorros aos 45 anos

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Sampi/Franca
Reprodução/Redes sociais
Luto: morre Rogério Mantovani Naldi, de 46 anos, em Franca. Ele está acompanhando de seu fiel amigo Dax, um pastor alemão que faleceu no último ano

Franca se despediu neste domingo, 12, do adestrador de cães Rogério Mantovani Naldi, que morreu aos 45 anos em decorrência de um tumor renal. Reconhecido pelo trabalho com adestramento e pela atuação em competições de IGP, modalidade esportiva voltada ao desempenho de cães de trabalho, Rogério foi lembrado por familiares, amigos e colegas como um profissional apaixonado pelos animais, um homem de caráter, generoso, otimista e dedicado à família.

O velório foi realizado no Velório São Vicente, seguido pelo sepultamento no Cemitério Municipal Santo Agostinho neste domingo. Rogério deixa a esposa, Flávia Naldi, e o filho, Hugo Caetano.

Paixão pelos cães desde a infância

A ligação de Rogério com os cães começou ainda na infância. Segundo a família, ele cresceu cercado por animais e demonstrava fascínio por eles desde muito pequeno. Entre as lembranças está a cadela Lady, uma pastora alemã criada pela família, que marcou os primeiros anos dessa paixão.

Com o passar do tempo, esse interesse transformou-se em profissão. Rogério tornou-se adestrador e passou a dedicar sua vida ao treinamento de cães, além de competir no IGP, esporte canino que reúne provas de obediência, faro e proteção.

Na modalidade, o cão precisa demonstrar desempenho nas três etapas para conquistar a aprovação. Na obediência, executa comandos e supera obstáculos; na prova de faro, segue uma trilha deixada no solo; e, na proteção, realiza exercícios controlados de guarda e mordida com a participação de um figurante. O conjunto exige meses de preparação e alto nível de treinamento entre condutor e animal.

Apaixonado pelas competições, Rogério se preparava intensamente para cada campeonato e conquistou diversos troféus ao longo da carreira. Segundo o filho, ele foi o único adestrador de Franca a titular um cão no IGP nível 3, uma das maiores certificações da modalidade.

Além disso, Rogério também participou de treinamentos para animais policiais, tanto no Brasil como também para a Polícia Federal do Paraguai. 

Dax, o parceiro das maiores conquistas

Grande parte dessa trajetória foi construída ao lado de Dax, cão com quem Rogério conquistou seus principais títulos e participou do maior número de competições.

Dax morreu no ano passado, quando Rogério já enfrentava a doença. A perda do companheiro de provas foi mais um momento difícil durante o tratamento, mas não o afastou daquilo que mais gostava de fazer.

Diagnosticado com um tumor renal em abril do ano passado, Rogério continuou treinando e competindo. Apenas no mês passado interrompeu as atividades, quando o avanço da doença já não permitia mais que seguisse na rotina de treinos.

"O grande amor da minha vida"

Em uma emocionante publicação nas redes sociais, a esposa, Flávia Naldi, definiu Rogério como o "grande amor da minha vida", agradecendo pelos anos vividos ao seu lado.

"Me despeço do grande amor da minha vida, do homem que caminhou ao meu lado, que foi meu porto seguro, meu companheiro, meu melhor amigo e o pai do nosso filho."

Na mensagem, ela afirmou que o amor permanece nas lembranças, na família e em tudo o que construíram juntos.

"O amor não termina com a despedida. Ele permanece nas lembranças, na nossa família, em tudo o que construímos e na pessoa que você me ajudou a ser."

"Todo mundo que eu conheço ama o Rogério"

As homenagens também vieram de amigos do esporte. Em uma transmissão ao vivo realizada na tarde deste domingo, o treinador de cães Márcio Cerqueira recordou a amizade construída com Rogério durante cursos de adestramento.

Ele destacou que o amigo conquistava pessoas da mesma forma que conquistava os cães: com paciência, carinho e dedicação.

"Todo mundo que eu conheço, sem exceção, ama o Rogério."

Márcio afirmou que Rogério transformava qualquer ambiente por onde passava e era lembrado pela disposição em ajudar as pessoas.

"O lado bom, o lado de se importar, o lado de ser carinhoso, é que prevalecia. Eu vou guardar boas lembranças desse cara."

Durante a homenagem, o treinador também ressaltou a forma como Rogério enfrentou a doença.

"Quando descobriu, ele se abalou no primeiro instante, mas depois continuou vivendo. Continuou treinando, continuou competindo. Ele soube viver."

Ao final da transmissão, deixou uma mensagem de despedida ao amigo.

"Vou continuar te amando, cara, onde quer que você esteja. Sempre vou te amar, meu irmão."

As homenagens publicadas ao longo do dia reforçam o legado deixado por Rogério Mantovani Naldi, lembrado não apenas pelos resultados conquistados no esporte canino, mas principalmente pela forma como tratava as pessoas e pelos laços que construiu ao longo da vida.