11 de julho de 2026
REFLEXÃO

Mudanças

Por José Antonio Pereira e Marília Gabriella R. Peres | especial para o Portal GCN
| Tempo de leitura: 1 min

A ideia de impermanência permeia todas as nuances da vida. Se olhamos para a natureza, podemos não perceber explicitamente o movimento da Terra, mas em decorrência dele, admiramos as noites e contemplamos os dias, a exuberância das primaveras e o recolhimento dos invernos.

No palco da criação infinita, onde tudo se transforma na direção do melhor, lagartas ganham asas, impurezas são transmutadas em pérolas, sementes se convertem em flores. Do mesmo modo, no espectro da vida humana, o tempo é o grande agente de mudança, tanto no mundo de fora, quanto no mundo de dentro.

Neste sentido, é curioso observar, que modificações exteriores são mais fáceis de se processar e até almejadas pelos indivíduos, seja na mudança da aparência, na alteração de ambientes, entre outros exemplos, salvo quando o apego é também um desafio a ser vencido.

Quando não, as mudanças no mundo de fora podem estar associadas à tentativa de acomodar algo por dentro, pois nesta dimensão é que realmente se definem os ângulos e as lentes com os quais enxergamos a realidade e, muitas vezes, demasiadamente identificados, nos privamos de outros prismas de visão. Porém, são essas perspectivas novas que não raro, nos libertam de velhos dilemas e de problemas aparentemente sem solução.

Sair da bolha das questões cotidianas e subir na montanha de novas possibilidades para ver do alto, a estrada na qual estamos jornadeando, é sempre uma oportunidade de ressignificação das experiências e de recomeço do próprio caminho.

José Antônio Pereira é psicólogo e membro da Academia Francana de Letras; Marília Gabriella R. Peres é doutoranda em Educação pela Universidade de São Paulo