10 de julho de 2026
ARENA GCN

Aninha relembra profecia da cigana e conta como trouxe Alckmin

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Sampi/Franca
Pedro Dartibale/GCN
Prefeita de Ribeirão Corrente, Aninha Montanher, durante entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr. no Arena GCN

A prefeita de Ribeirão Corrente, Aninha Montanher (MDB), afirmou que a visita do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), ao município foi resultado da relação construída ao longo dos últimos anos com integrantes do Governo Federal e com a primeira-dama Lu Alckmin. Defendeu também que prefeitos mantenham diálogo com todas as esferas de governo, independentemente de diferenças ideológicas, e afirmou que sua prioridade é buscar investimentos para a população. As revelações foram feitas durante entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr., do Portal GCN/Sampi, no podcast semanal do Arena GCN.

Assista à entrevista completa da prefeita Aninha Montanher ao podcast Arena GCN.

Um café em Brasília abriu as portas

Aninha contou que nem ela acreditou quando recebeu a confirmação de que Alckmin participaria da Feira do Empreendedor realizada em Ribeirão Corrente, no último sábado, 28, município de cerca de 4,6 mil habitantes.

Segundo a prefeita, o convite nasceu durante uma conversa informal em Brasília, quando aproveitou uma agenda no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para falar sobre a realização do evento na cidade.

Ela explicou que a feira integra um programa do ministério realizado há vários anos e que, além de ser a primeira edição promovida na região, também seria a última antes da suspensão das atividades em razão do calendário eleitoral.

"O convite aconteceu de forma muito natural. Foi praticamente um cafezinho. Conversamos, fiz o convite e ele aceitou."

Aninha também destacou a relação construída com Lu Alckmin desde os tempos em que o atual vice-presidente governava o Estado de São Paulo.

Segundo ela, a então primeira-dama visitou Ribeirão Corrente para conhecer projetos sociais implantados no município e, desde então, o contato permaneceu.

Política sem barreiras ideológicas

Durante a entrevista, Aninha afirmou que considera um erro quando prefeitos deixam de dialogar com governos de partidos diferentes. Para ela, depois da eleição, o compromisso do gestor passa a ser exclusivamente com a população.

"Se eu recebesse o governador do Estado neste fim de semana, também estaria muito feliz. A população precisa de recursos do Estado e também da União."

A prefeita afirmou que não faz distinção entre governos de esquerda ou de direita quando o assunto é buscar investimentos.

"Tem muito recurso em Brasília e eu não vou deixar de buscar porque parte da população pode não gostar."

Ela defendeu que a boa política exige diálogo com quem pensa diferente.

"Se for conversar apenas com quem pensa igual, não existe diálogo."

Operação mobilizou a pequena cidade

A confirmação oficial da visita aconteceu poucos dias antes da agenda.

Segundo Aninha, a equipe da Vice-Presidência entrou em contato informando que uma grande comitiva chegaria à cidade na manhã seguinte para organizar toda a operação de segurança.

Ela relatou que, à medida que os voos chegavam, aumentava o número de agentes envolvidos.

"Teve um momento em que parecia que havia mais seguranças do que moradores na cidade."

A prefeita afirmou que Alckmin permaneceu aproximadamente quatro horas em Ribeirão Corrente.

Segundo ela, o vice-presidente fez questão de visitar todos os expositores da feira, conversar com empreendedores e conhecer os produtos apresentados.

"Ele deu atenção a todos. Isso marcou muito a população."

Críticas da oposição

Questionada sobre críticas recebidas após a visita, Aninha afirmou que elas sempre existirão, mas disse considerar equivocada a tentativa de transformar agendas institucionais em disputas ideológicas.

Para ela, um prefeito não pode fechar as portas para representantes dos governos estadual ou federal.

"Meu município precisa das duas esferas. Existem recursos tanto no Governo do Estado quanto no Governo Federal, e a população tem direito a eles."

Ela lembrou que seu marido, o ex-prefeito Airton Luiz Montanher, governou Ribeirão Corrente pelo PT, enquanto ela atualmente administra o município pelo MDB.

Segundo Aninha, essa mudança partidária nunca alterou sua forma de atuar.

"O importante é o trabalho. Eu respeito todos."

Casa das Marias virou referência

Entre os projetos que mais se orgulha de ter implantado está a Casa das Marias.

O espaço foi criado para oferecer acolhimento a mulheres vítimas de violência, com atendimento psicológico, assistência social, orientação jurídica e ações voltadas à geração de renda.

A prefeita contou que a iniciativa começou de forma simples, em um espaço improvisado, e depois conseguiu recursos estaduais para ganhar sede própria.

Segundo ela, Lu Alckmin conheceu pessoalmente o projeto e ficou impressionada ao ver que programas implantados anos antes continuavam funcionando no município.

Hoje, além do atendimento às vítimas de violência, o espaço promove palestras, cursos e atividades abertas às mulheres da cidade.

A história da moeda que mudou sua vida

Um dos momentos mais descontraídos da entrevista foi quando Aninha contou como conheceu o marido.

Natural de Maceió (AL), ela afirmou que tinha apenas 15 anos quando uma cigana disse que conheceria um homem que lhe daria uma moeda estrangeira e que ele seria seu futuro marido.

Poucas semanas depois, Ayrton Montanher, então morador da região de Franca, hospedou-se na pousada administrada pela mãe dela. Durante uma conversa, ele mostrou algumas moedas trazidas da Europa e entregou uma delas para Aninha.

Ela afirmou que imediatamente lembrou da previsão feita pela cigana. Os dois começaram a namorar poucas semanas depois e se casaram quatro anos mais tarde.

Futuro ainda sem definição

Aninha evitou antecipar planos eleitorais para depois do fim do mandato. Ela afirmou que prefere concentrar esforços na administração do município e disse que ainda restam muitos projetos para concluir.

Embora admita que goste da vida pública, afirmou que pretende morar em Franca quando deixar a Prefeitura. Segundo ela, a intenção é continuar trabalhando em projetos sociais e colaborar com entidades da cidade.

"Eu gosto de política, mas também quero dar espaço para quem vier administrar Ribeirão Corrente."