17 de junho de 2026
SUSTENTABILIDADE

Unicamp instala iluminação inteligente em Barão

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Unicamp
Sistema no campus de Barão Geraldo substituiu 2,5 mil luminárias e pode gerar economia anual de até R$ 1 milhão.

Unicamp inaugurou no campus de Barão Geraldo, em Campinas, um novo sistema de iluminação pública inteligente. O projeto substituiu cerca de 2,5 mil luminárias antigas, baseadas em vapor de sódio, por equipamentos de LED de alta eficiência, com previsão de reduzir em aproximadamente 70% o consumo de energia.

O investimento foi de R$ 5 milhões, obtido por meio do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). Com a nova estrutura, a universidade estima economia de até R$ 1 milhão por ano.

A implantação foi liderada pelo professor Luiz Carlos Pereira da Silva, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC), coordenador do programa Campus Sustentável, ligado à Diretoria Executiva de Sustentabilidade. A inauguração oficial ocorreu na segunda-feira (8), em evento na Casa do Lago, seguida de visita técnica a diferentes pontos do campus.

O reitor Paulo Cesar Montagner afirmou que o novo sistema integra um conjunto mais amplo de ações voltadas à sustentabilidade e à pesquisa aplicada. “A Unicamp vem colhendo resultados positivos com a implantação de sistemas de iluminação inteligente. Essa iniciativa integra um conjunto de ações que inclui veículos elétricos e projetos de geração de energia sustentável, consolidando a Universidade como referência nacional em pesquisa aplicada. Esses avanços representam a construção de um novo paradigma para a instituição e podem servir de modelo para outras universidades e centros tecnológicos do país”, afirmou.

Além da troca das luminárias, o sistema permite monitoramento e controle remoto de cada ponto de iluminação. Sensores conectados enviam dados em tempo real para uma plataforma digital, permitindo acompanhar o consumo individual, identificar falhas rapidamente e organizar a manutenção com mais eficiência.

Outra funcionalidade é o ajuste da intensidade da luz ao longo da noite. Em horários de menor circulação, a iluminação pode ser reduzida dentro dos parâmetros técnicos, diminuindo o consumo sem comprometer a segurança no campus.

O projeto também abre caminho para que a rede de iluminação funcione como uma plataforma de dados. A infraestrutura poderá receber radares para monitoramento de fluxo de veículos nas guaritas, sensores ambientais, câmeras de monitoramento e sensores acústicos, entre outras aplicações ligadas ao conceito de cidades inteligentes.

“A ideia é transformar a Unicamp em um laboratório vivo de pesquisa, desenvolvimento e demonstração de tecnologias voltadas à iluminação pública e às cidades inteligentes. A Universidade pode se tornar uma referência dessa área no país. Além de reduzir o consumo de energia e os custos operacionais, o sistema produzirá uma grande quantidade de dados que poderão ser utilizados em pesquisas de graduação, pós-graduação e projetos de inovação”, afirmou Silva.

A universidade também informou que o projeto levou em conta aspectos ambientais. Nas vias e avenidas do campus, foram instaladas luminárias com temperatura de 4 mil Kelvin, conhecida como branco neutro, usada em locais onde a segurança viária é prioridade. Já em áreas de mata, consideradas mais sensíveis, a iluminação tem temperatura de 3 mil Kelvin, com tonalidade mais amarelada.

Segundo o professor da FEEC, a escolha segue os padrões disponíveis atualmente, mas o tema deve continuar sendo acompanhado pela universidade. “Essa atual temperatura de 4 mil Kelvin é conhecida como branco neutro e é uma das mais utilizadas em projetos de iluminação pública. Embora seja considerada mais confortável que os modelos anteriores, se diferencia dos tons amarelados que marcaram sistemas antigos, como as luminárias de vapor de sódio”, explicou.

Silva afirmou ainda que futuras revisões normativas podem incentivar o uso de temperaturas mais baixas, especialmente em áreas urbanas e ambientais. “A expectativa é que futuras revisões normativas incentivem o uso de temperaturas ainda mais baixas, como 2,7 mil Kelvin em vias urbanas e 2,2 mil Kelvin em áreas ambientais. Entretanto, a indústria ainda não possui escala de produção suficiente para oferecer essas soluções”, comentou.

Com a nova iluminação, a Unicamp busca reduzir custos operacionais, ampliar a eficiência energética e transformar o campus em espaço de testes para soluções aplicadas à gestão urbana, sustentabilidade e segurança.