A pequena Maria Luzia Ávila Machado, conhecida pela família como Maluzinha, se tornou símbolo de fé, superação e mobilização em Franca e região após enfrentar uma grave cardiopatia congênita ainda nos primeiros meses de vida.
Hoje com um ano e dois meses, a menina segue em recuperação após passar por cirurgias cardíacas complexas e enfrentar um quadro clínico considerado delicado pelos médicos.
Segundo a mãe, Cintia Machado Ávila, os primeiros sinais surgiram quando a bebê tinha apenas um mês e 14 dias. A criança apresentava problemas frequentes de saúde e chegou a receber diagnósticos iniciais de alergia à proteína do leite (PLV) e refluxo oculto.
“Ela só piorava. Até que um dia a gente levou no doutor Homero, e ele escutou um sopro no coração dela. Foi ele quem encaminhou a gente para o cardiologista”, relembra.
Após exames detalhados, os médicos identificaram que Maluzinha tinha comunicação interventricular (CIV), persistência do canal arterial (PCA) e coarctação da aorta — alterações cardíacas graves que exigiam cirurgia urgente.
A bebê foi transferida para Ribeirão Preto em estado delicado. Segundo a família, durante o transporte ela precisou ser entubada devido ao agravamento do quadro clínico.
Antes da cirurgia, Maluzinha permaneceu internada para estabilização médica. Após o procedimento cardíaco, ficou quatro dias com o tórax aberto até passar por uma nova cirurgia para fechamento do peito.
Durante a recuperação, ainda sofreu paralisia do diafragma, precisou realizar uma plicatura diafragmática e passou por sessões de diálise.
“Foram muitos momentos difíceis. Ela teve várias intercorrências, chegou a ter desenganos médicos. A gente quase perdeu ela”, afirmou a mãe.
Em meio ao período de internação, a história da bebê mobilizou familiares, amigos e pessoas de diferentes religiões em uma corrente de oração que chegou a reunir quase 400 participantes.
“Teve gente que fez promessa, gente que levou foto dela para Aparecida, outra pessoa levou foto dela para Roma. A gente ganhou muitas imagens e orações. Até hoje encontramos pessoas que falam que rezaram por ela”, contou Cintia.
Segundo a mãe, um dos momentos mais marcantes aconteceu após uma médica afirmar que o quadro estava estável, mas sem melhora significativa.
“Ela falou: ‘se você tiver fé, reze’. Naquele dia eu implorei por oração. Fizeram uma corrente de oração de 24 horas por ela”, relembra.
No dia seguinte, a família recebeu a notícia de melhora no estado clínico da criança.
“A médica chegou e disse: ‘mãe, vou trazer três corações para você, porque Deus ouviu suas preces’. Ela tinha melhorado e começou a evoluir bem.”
Atualmente, Maluzinha segue em acompanhamento com cardiologista pediátrica em Ribeirão Preto e apresenta boa recuperação.
Além de compartilhar a história da filha, Cintia também faz um alerta sobre a importância da realização do ecocardiograma fetal durante a gestação.
Segundo ela, o exame poderia ter identificado a cardiopatia ainda na gravidez.
“Tem muita gestante que me manda mensagem depois que conheceu a história dela. O ecocardiograma fetal poderia ter mostrado o problema ainda na gravidez. É um exame muito importante”, afirmou.
Para a família, a recuperação da menina representa a união entre medicina, fé e solidariedade.
“Foi uma luta muito grande, mas Deus colocou as pessoas certas no nosso caminho. Hoje ela está aqui, saudável, e é o nosso milagrinho”, disse a mãe.