A sequência de episódios de violência registrados na Escola Estadual “Dr. João Marciano de Almeida”, em Franca, gerou novas denúncias de pais de alunos sobre brigas frequentes dentro e no entorno da unidade. Após o caso de um estudante do Ensino Médio acusado de ameaçar um colega com um canivete nesta quinta-feira, 21, familiares relataram outros conflitos ocorridos nos últimos dias e questionaram a eficácia das medidas adotadas pela escola. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que os casos foram registrados, os envolvidos afastados e ações de mediação serão reforçadas.
Na manhã desta quinta-feira, um estudante do 1º ano do Ensino Médio foi acusado de ameaçar outro aluno com um canivete durante uma briga dentro da escola. A Polícia Militar foi acionada e apreendeu o objeto após a direção informar que o adolescente entregou o canivete à equipe gestora. Ninguém ficou ferido.
Menos de 24 horas antes, dois estudantes do 9º ano trocaram socos dentro de uma sala de aula. Segundo denúncias encaminhadas ao Portal GCN/Sampi, os adolescentes ficaram feridos e apresentavam sangramento no rosto após a agressão.
Após a repercussão dos casos, uma mãe de alunos da escola procurou a reportagem para relatar novos episódios de violência e pediu para não ser identificada por receio de exposição da filha.
“As brigas têm acontecido com bastante frequência. Tenho um filho que estuda à tarde e uma filha que estuda de manhã”, afirmou.
Segundo a mulher, um dos episódios ocorreu no último dia 7 de maio, entre a saída do período da manhã e a entrada do período da tarde. Conforme o relato, duas estudantes gêmeas do 1º ano teriam agredido outra adolescente.
“Só pararam porque a menina desmaiou”, disse.
Ela afirmou ainda que os conflitos teriam começado no ano passado, após desentendimentos envolvendo relacionamentos entre estudantes, e que as ameaças continuaram desde então.
“Essa briga vem desde o ano passado. Minha filha era da mesma sala, é coisa antiga”, relatou.
Apesar das críticas, ela destacou que considera a unidade uma boa escola e atribuiu parte dos problemas ao comportamento de estudantes e familiares.
“É uma escola muito boa, de verdade, mas a educação não tem vindo de casa. Fico até com dó dos professores”, declarou.
Em nota, a Secretaria Estadual de Educação, por meio da URE (Unidade Regional de Ensino) de Franca, repudiou todo tipo de violência, dentro ou fora do ambiente escolar.
Segundo a unidade, a direção da unidade agiu “prontamente” no momento da ocorrência para conter o conflito. As famílias foram convocadas e estão contando com o acompanhamento pela rede de apoio com visitas de assistentes sociais.
“As alunas estão sendo atendidas pela psicóloga do programa Psicólogos na Escola e participando de um projeto de fortalecimento de vínculos. Ambas foram afastadas das atividades presenciais por três dias com atividades domiciliares e não apresentaram mais conflitos”, diz.
A unidade, ainda segundo o Estado, intensificará as ações de mediação e os projetos de convivência escolar em parceria com a equipe do Conviva-SP (Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar) e com o Grêmio Estudantil, visando o fortalecimento da cultura de paz.
Por fim, a URE Franca e a gestão da unidade afirmaram que seguem à disposição da comunidade para mais esclarecimentos.