21 de maio de 2026
ESPIRITUALIDADE

Estudo de Franca sobre saúde mental é apresentado em Harvard

Por Ariane Jud | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Pesquisadora Marianna de Abreu Costa, durante apresentação do estudo em Havard

Uma pesquisa desenvolvida na Fundação Espírita Allan Kardec, em Franca, ganhou repercussão internacional após ser apresentada na última quinta-feira, 14, durante um evento acadêmico realizado na Harvard University, nos Estados Unidos.

O estudo investiga a relação entre espiritualidade, religiosidade e saúde mental no tratamento de pacientes com comportamento suicida internados em unidade psiquiátrica.

A apresentação internacional foi conduzida pela pesquisadora Marianna de Abreu Costa, integrante da equipe responsável pelo projeto, que detalhou os objetivos, a metodologia científica e os impactos esperados da pesquisa para a comunidade acadêmica internacional.

Pesquisa reúne especialistas em psiquiatria e espiritualidade

O estudo é realizado no Hospital Psiquiátrico Allan Kardec e possui coordenação científica da USP (Universidade de São Paulo), reunindo pesquisadores brasileiros especializados em psiquiatria, espiritualidade e saúde mental.

A coordenação é liderada pelo psiquiatra Alexander Moreira-Almeida, considerado referência internacional em estudos sobre espiritualidade e saúde, ao lado do pesquisador Homero Pinto Vallada Filho.

O protocolo tem como centro coordenador a Faculdade de Medicina da USP e conta com apoio do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde.

O financiamento é realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais e pelo Instituto Homero Pinto Vallada.

Estudo avalia espiritualidade como complemento terapêutico

A pesquisa busca analisar se práticas espirituais podem contribuir positivamente no tratamento psiquiátrico convencional de pacientes internados por sofrimento psíquico grave e comportamento suicida. Ao todo, 200 pacientes participam do estudo.

Os participantes foram divididos em dois grupos. Um deles recebe apenas o tratamento convencional, incluindo acompanhamento psiquiátrico, psicológico e uso de medicamentos.

O segundo grupo recebe, além do tratamento médico tradicional, uma intervenção espiritual complementar realizada à distância por meio de reuniões mediúnicas de desobsessão.

Os pesquisadores ressaltam que a proposta não substitui o tratamento psiquiátrico tradicional, mas pretende investigar cientificamente se a espiritualidade pode funcionar como recurso auxiliar no cuidado emocional, psicológico e social dos pacientes.

Metodologia científica rigorosa

Um dos principais diferenciais do estudo é o modelo metodológico adotado pelos pesquisadores. A pesquisa foi estruturada como ensaio clínico controlado, randomizado, duplo-cego e em paralelo - metodologia considerada uma das mais rigorosas dentro da ciência para avaliação de tratamentos clínicos.

Nesse modelo, nem os pacientes nem parte das equipes envolvidas sabem quais participantes estão recebendo a intervenção espiritual complementar.

Segundo os pesquisadores, isso reduz interferências emocionais e subjetivas nos resultados finais.

Para garantir imparcialidade, as equipes responsáveis pelas etapas clínica e espiritual atuam separadamente, sem compartilhamento de informações entre si.

A pesquisa recebeu aprovação do Comitê de Ética do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP em setembro de 2025.

Estudo analisa impactos no comportamento suicida

O trabalho pretende avaliar se fatores ligados à espiritualidade e religiosidade podem influenciar indicadores clínicos relacionados ao sofrimento psíquico.

Entre os pontos analisados estão intensidade dos sintomas psiquiátricos; comportamento suicida; qualidade de vida; tempo de internação; número de reinternações; e uso de medicamentos após alta hospitalar.

Além disso, os pesquisadores também pretendem investigar possíveis relações entre relatos obtidos durante reuniões mediúnicas e os quadros clínicos observados pelas equipes médicas.

Resultados devem sair em 2027

A coleta de dados começou em fevereiro deste ano no Hospital Allan Kardec, em Franca, e seguirá até dezembro de 2026.

Após essa etapa, os pesquisadores iniciarão a análise final das informações coletadas. A divulgação oficial dos resultados científicos está prevista para 2027.