Um mês após a morte da estudante universitária Anna Elisa Borges, de 19 anos, completado nesta quarta-feira, 29, o caso segue em investigação e ainda aguarda a conclusão de laudos periciais que devem apontar se o VW Polo, que bateu no carro onde a vítima estava, participava ou não de uma disputa de “racha”, na avenida Armando de Sales Oliveira, no Parque Universitário, zona sul de Franca.
Até o momento, três laudos periciais foram solicitados, mas apenas um foi concluído: o que aponta a velocidade do Volkswagen Polo preto no momento do acidente. Segundo a perícia, o veículo que era dirigido por Clovis Eduardo Pinto Ludovice Neto, de 20 anos, trafegava entre 83 e 110 km/h antes da frenagem, em um trecho onde a sinalização indica limite de 30 km/h, a cerca de 300 metros do local.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Davi Abmael Davi, as investigações continuam e ainda aguardam o resultado de outros dois laudos, que devem esclarecer se havia ou não uma possível disputa de “racha” entre veículos no momento do acidente.
Imagens que estão em posse da polícia não mostram, até agora, dois carros lado a lado em alta velocidade. No entanto, em determinado ponto da avenida, é possível ouvir o som de pneus derrapando, seguido de um forte estrondo da colisão envolvendo o Chevrolet Celta, onde a jovem estava.
“Em breve esses dois laudos também ficarão prontos. A partir deles, poderemos afirmar se houve racha ou não”, afirmou o delegado.
A confirmação de uma possível disputa pode ser decisiva para o andamento do caso. Caso seja comprovado, até mesmo um terceiro motorista, ainda que não tenha se envolvido diretamente na colisão, poderá ser responsabilizado.
“O motorista que não bateu, mas que eventualmente esteja participando do racha, se isso for comprovado, também poderá responder por homicídio culposo”, explicou.
O motorista do Polo será novamente ouvido, após a conclusão dos laudos restantes. No dia do acidente, ele afirmou que trafegava a cerca de 60 km/h.
Ainda segundo o delegado, a velocidade acima do permitido já configura imprudência e pode ser considerada um dos fatores determinantes para o acidente. “Por ele estar acima da velocidade permitida, assume a responsabilidade pela imprudência. Não foi apenas o avanço de sinalização, mas também a velocidade contribuiu para o resultado”, destacou.
O caso pode ser enquadrado como homicídio culposo, com possibilidade de mais de um responsável, dependendo das conclusões da investigação.
O acidente aconteceu após Anna Elisa participar de uma festa e sair para comer com amigos, em Franca.
A colisão ocorreu na avenida Armando de Sales Oliveira, no Parque Universitário, nas proximidades da Unifran. A jovem estava em um Chevrolet Celta prata, conduzido por um rapaz de 20 anos.
Segundo as informações, o motorista do Celta tentou acessar a rua Francisco Prestes Maia, mas não respeitou a sinalização de “Pare”, sendo atingido pelo Volkswagen Polo, que seguia pela via preferencial. Após o impacto, o carro perdeu o controle e bateu contra o muro de um condomínio.
Os dois motoristas, de 20 e 21 anos, se recusaram a realizar o teste do bafômetro no local. Ambos foram submetidos a exame clínico, que apontou ingestão de bebida alcoólica nos dois casos, ainda que sem sinais evidentes de alteração psicomotora.
O delegado destacou que, mesmo sem sinais claros de embriaguez, a ingestão de álcool pode configurar crime, especialmente em casos com resultado fatal.
Anna Elisa era moradora de Capetinga (MG) e estudante de biomedicina.