29 de abril de 2026
CLIMA TENSO

Direita rachada: Walker discute com Patriota por vídeo distorcido

Por Pedro Baccelli | Editor do Portal GCN/Sampi
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Divulgação/Câmara Municipal de Franca
Vereadores Leandro Patriota e Walker Bombeiro das Libras, respectivamente

Clima tenso entre os “brothers” da Direita na Câmara Municipal de Franca. Os vereadores do PL, Leandro Patriota e Walker Bombeiro da Libras, protagonizaram um desentendimento na sessão ordinária desta terça-feira, 28, após a publicação de um vídeo em que um idoso é agredido em uma unidade de saúde. O caso foi registrado no Ijuí (RS), mas Patriota não esclareceu isso no vídeo. Enquanto ele defendeu a importância do que ele entende ser “fiscalização” nas unidades, Walker criticou o conteúdo, afirmando que a publicação pode ter gerado interpretação equivocada, esclarecendo que o caso não ocorreu em Franca e que esse tipo de fiscalização não é atribuição do Legislativo.

O episódio começou no fim da sessão, quando a 1ª secretária, Andréa Silva (Republicanos), convidou os vereadores para dar explicações pessoais. Walker pediu a palavra e abordou um vídeo publicado por Patriota em suas redes sociais.

As imagens mostram um idoso sendo agredido em uma unidade de pronto atendimento. Durante a gravação, Patriota classifica a agressão como uma “covardia muito grande”. Na sequência, ele enaltece a necessidade de fiscalização nas unidades de saúde. “Por isso é importante o trabalho de fiscalização para proteger o direito do cidadão”. Em nenhum momento, o vereador que publicou o vídeo especifica o município onde aconteceu o caso.

Diante desta publicação, Walker disse que chegaram mensagens a ele de pessoas reclamando do post feito por Patriota. “Alguns munícipes e alguns servidores reclamaram dessa publicação porque deu um duplo entendimento sobre atribuições de fiscalização também”. Isso porque o vídeo foi publicado nesta terça-feira, três dias após Patriota ser acusado de tentar invadir uma área restrita do Pronto-socorro Municipal “Dr. Álvaro Azzuz”.

Na sequência, Walker esclareceu que as agressões não ocorreram em Franca. “Nesse caso isolado, teria que partir da segurança pública tomar qualquer tipo de atitude com uma agressão dentro de um hospital. Não cabe a um vereador ir lá fiscalizar para ver se vai ter briga”.

“Não estou nem aí”

Patriota pediu o tempo de líder do partido e, sem citar nominalmente Walker ou o caso em questão, convidou os colegas parlamentares a acompanhá-lo durante suas visitas às unidades de saúde, em tom de resposta às críticas.

“Já que tem alguns vereadores que estão incomodados com o trabalho que eu estou fazendo — eu não sei por qual motivo, não sei se é pessoal, não sei qual é o motivo —, eu vou fazer assim agora: a pessoa me chamou, eu vou pegar a situação dela, vou jogar lá no grupo e vou convidar. Vou fazer um vídeo convidando os 15 vereadores para poder ir comigo. Porque aí, o que vai acontecer? Esses vereadores que estão incomodados, porque estão tendo que prestar satisfação para a imprensa e dar satisfação para as pessoas, vamos ver então se eles vão querer estar junto comigo”, disse.

Patriota também classificou parte dos servidores públicos como sendo de esquerda. “Já vieram falar para mim: ‘Vereador, você não pode fazer isso. Você tem que trazer os servidores para o seu lado’. A maioria dos servidores, não são todos, não vou generalizar, tem um espectro político de esquerda. Eles não vão votar em mim, e eu não estou preocupado com o voto”.

”Essa conta que não fecha” 

Walker pediu a palavra para responder, alegando que havia sido citado indiretamente pelo colega de partido. Mesmo sem autorização da Mesa Diretora, o vereador seguiu com suas explicações. Ele afirmou não ter nada contra Patriota e disse já tê-lo apoiado em outras ocasiões. Na sequência, disse que fazer gravações em unidades de saúde não surte os resultados efetivos. “É sério que vossa excelência (Patriota) acredita que gravar o vídeo vai dar certo? A vaga (em um hospital)? É sobre isso que eu estava conversando com outros vereadores aqui”.

Walker continuou: “o vídeo que vossa excelência postou quis dizer que lá no Recife (Rio Grande do Sul, na verdade) um paciente foi agredido e, por isso, que tem que ser fiscalizado os hospitais (de Franca). Essa conta que não fecha”, disse.