“Eu quero realmente fazer a diferença para a minha cidade e para o meu país.” Esse sentimento é o que leva a estudante Ana Júlia Diniz Storti, de 15 anos, e outros jovens a tirarem o título de eleitor para participar das eleições deste ano, mesmo que o voto não seja obrigatório nessa faixa etária.
Segundo o chefe da 16ª Zona Eleitoral, Marcelo Queiroz Ferreira, 216 adolescentes que já têm ou completarão 16 anos até o primeiro turno emitiram o título em Franca até esta sexta-feira, 25 - o equivalente a 0,09% do eleitorado do município. Entre os de 17 anos, o número é maior: 555 eleitores, ou 0,22% do total de aptos a votar na cidade. Juntos, os 771 jovens representam 0,31% do eleitorado francano - uma fatia pequena, mas que cresce a cada dia com a aproximação do prazo final, em 6 de maio.
Como o TSE organiza os dados por faixa etária e não por idade exata, não é possível determinar com precisão quantos adolescentes da cidade ainda não tiraram o documento. Mas Marcelo Queiroz já observa um “aumento importante de eleitores” nos últimos dias, entre transferências de domicílio, cadastramento biométrico e primeiros títulos.
Ana Júlia é moradora do Jardim São Joaquim e não deixou para a última hora. Desde cedo, conhece os desafios da cidade e entende o papel da política para enfrentá-los. “Franca tem sofrido com a falta de leitos em hospitais, mulheres passando por dificuldades e desigualdade social. Então, eu acho importante, principalmente para os jovens, apoiar alguém que consiga ter as propostas ideais para a cidade e, se for presidente, para o país.”
A estudante do Colégio Copérnico busca incentivar os colegas. “Na minha sala, eu não fui a única. Porém, muitas pessoas ainda não tiraram. A minha grande proposta é incentivar essas pessoas, não deixar para a última hora, não pegar fila no cartório e fazer tudo corretamente.”
Outra estudante que reconhece a importância da política é Mariana Branquinho de Morais Oliveira, de 16 anos, que pretende tirar o título para votar neste ano. A motivação é direta: não deixar que outros decidam por ela. “Muitas vezes, os nossos interesses são diferentes. É importante mostrarmos isso e exercer esse direito que a gente tem.”
Aluna do Pestalozzi e moradora do Centro, Mariana também defende o voto consciente. “Muitas vezes, as pessoas escolhem os políticos em que acreditam nas promessas, mas não encaixam aquilo que eles prometem na realidade da cidade ou do país.”
Há jovens que preferem esperar os 18 anos para se sentirem mais preparados. É o caso do estudante Gustavo Ribeiro Cardoso, de 16 anos, morador do Parque Universitário. “Não vou tirar o meu título porque não me informei sobre o assunto. Não sei quais serão os candidatos e suas propostas. Acho que o voto deve ser consciente. Tirar o título para votar em branco ou anular não me parece conveniente.”
Mesmo sem votar neste ano, Gustavo incentiva quem já tem posição formada. “Se a pessoa já tem seu senso crítico desenvolvido, já sabe o candidato e suas propostas, acho que deve sim.” E vai além: defende que a política seja cada vez mais debatida nas salas de aula. “Tem um poder enorme de mudar o futuro.”
As eleições de 2026 serao realizadas no dia 04 de outubro (primeiro turno) e 25 de outubro (segundo turno). Os eleitores escolheram o presidente da República, governadores de Estado, senadores, deputados federais e estaduais.