23 de abril de 2026
VIOLÊNCIA FAMILIAR

Filho, de 16 anos, esfaqueia pai para defender mãe de agressões

Por Laís Bachur | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Laís Bachur/GCN
Mulher do homem esfaqueado pelo filho, em entrevista com o portal GCN

Um caso grave de violência doméstica terminou com um homem, caseiro de 44 anos, esfaqueado pelo próprio filho, de 16 anos, na madrugada desta quinta-feira, 23, em um sítio na zona rural de Patrocínio Paulista.

Segundo a Polícia Militar, as equipes foram acionadas para atender uma ocorrência de homem ferido por golpes de faca. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) também foi mobilizado para prestar socorro.

Ao chegarem ao local, os policiais encontraram o caseiro, de 44 anos, caído no chão, com muito sangue ao redor. Na residência, estavam a mulher dele, de 35 anos, e o filho do casal.

A mulher relatou que o marido chegou embriagado e passou a agredi-la. De acordo com a vítima, ele desferiu diversos tapas, causando hematomas, cortes no rosto, na boca e no ouvido, além de tê-la enforcado e esganado.

O filho presenciou toda a situação e pediu diversas vezes para que o pai parasse, mas não foi atendido. Diante da continuidade das agressões, o adolescente foi até a cozinha, pegou uma faca e, com o pai de costas, desferiu golpes. Ao todo, foram nove perfurações.

O homem caiu e permaneceu no chão até a chegada do socorro. Ele foi encaminhado à Santa Casa de Patrocínio Paulista e, posteriormente, transferido para a Santa Casa de Franca, onde segue em estado grave.

Relato da vítima

Em entrevista exclusiva ao portal GCN/Sampi, a mulher contou detalhes da agressão sofrida na madrugada. “Ele começou a me bater, estávamos na cozinha, depois me trancou no banheiro e me bateu muito, me enforcou. Até que eu consegui abrir a porta, passei por baixo das pernas dele e consegui voltar para a sala. Meu filho gritando para ele parar.”

Segundo ela, mesmo após conseguir sair do banheiro, as agressões continuaram. “Ele veio atrás de mim e continuava. Ele me deu tanto tapa na boca!”

A vítima apresentava hematomas e sangramento visível no rosto no momento do atendimento e da entrevista. Ela afirma que o filho agiu para defendê-la. “Meu filho falava para ele parar e ele não parava, até que ele foi até a cozinha, pegou uma faca e deu nas costas do pai dele, mas foi pra me defender, ele não aguentava mais passar por isso, ver isso.”

Histórico de violência e ameaças

A mulher relatou que mantinha um relacionamento com o agressor há 19 anos e que sempre sofreu com o comportamento violento, que teria se agravado com o tempo. “Ele já colocou a faca no meu pescoço, vivia nos ameaçando.”

Segundo ela, o marido tinha comportamento extremamente possessivo e criava situações de ciúmes. “Eu não podia olhar para a frente, eu andava olhando só para o chão. Se estivéssemos de carro e eu olhasse para a frente e no carro da frente tivesse algum homem, ele me batia de novo, falava que eu estava olhando outros homens.”

"Eu consegui um trabalho fora, mas em dois meses ele me fez sair, porque tinham homens e ele falava que eu ficava no trabalho olhando para eles."

A vítima afirmou que nunca conseguiu sair do relacionamento por medo. “Eu não conseguia sair disso, eu tenho medo. Ele me ameaçava, dizia que se eu contasse para a polícia, ou terminasse com ele, ele me mataria e meu filho.”

Ela também relatou episódios de violência contra o filho. “Ele já apanhou também, o pai dele já jogou cigarro aceso nele.”

Ameaças após o crime

Mesmo ferido, o homem teria continuado com as ameaças, segundo a mulher. “Vocês segurem o pé, que se eu sair dessa. Vocês dois vão se ver comigo.”

Ela também afirmou que ele dizia não se importar em cometer um crime. “Ele disse que mataria e não importaria de ir preso, já que ficaria descansando, comendo e assistindo televisão.”

Desdobramentos

O adolescente foi apreendido e encaminhado para as medidas previstas no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). A perícia esteve na casa onde a família mora, e o caso seguirá sob investigação.

A mulher afirmou que pretende deixar o local com o filho assim que possível, além de solicitar medida protetiva contra o caseiro. “Assim que liberarem meu filho, nós vamos embora. Eu preciso ter sossego, eu nunca tive paz ou vivi tranquila. Pensa a vida inteira alguém te ameaçando?”