A revogação da prisão preventiva de Rafael Araldi Moreira, determinada pela Justiça nesta quarta-feira, 22, muda a condição do investigado no caso dos disparos que feriram o empresário Marcelo Rossato e a mulher dele, Giovanna Abdalla, em Franca. Mas, na prática, a decisão não encerra o caso e nem interrompe as investigações.
Com a soltura, Rafael passa a responder em liberdade, mediante condições impostas pela Justiça, como comparecimento obrigatório aos atos do processo. Em caso de descumprimento, a prisão preventiva pode ser novamente decretada.
O que muda agora é o status do investigado. O que não muda é o andamento do inquérito.
Na decisão, o juiz considerou que, neste momento, não há elementos concretos que justifiquem a manutenção da prisão preventiva. Pesaram o fato de o investigado ter acionado a Polícia Militar após o caso, possuir residência fixa e exercer atividade lícita.
O Ministério Público também se manifestou favoravelmente à liberdade provisória.
Apesar disso, a apuração sobre como aconteceu o crime segue em aberto.
A própria decisão judicial determina a continuidade das apurações e cita diligências consideradas prioritárias, como a coleta de imagens de câmeras de segurança do local onde teria começado o desentendimento entre Rafael e o casal, durante o show da dupla Henrique & Juliano, além da identificação e oitiva de testemunhas.
Também seguem pendentes laudos considerados importantes para o caso, como o exame de corpo de delito de Giovanna Abdalla, baleada durante a ocorrência, o laudo pericial do carro de Rossato, atingido por disparos, e o exame da arma apreendida. Esses elementos ainda devem embasar os próximos passos da investigação.
Um dos pontos ainda sob análise é justamente o que ocorreu antes dos disparos, desde a confusão dentro do evento até o momento em que o casal foi baleado, já na porta da casa de Araldi.
A expectativa agora é que as diligências complementares ajudem a esclarecer esse contexto e reforcem os elementos para eventual responsabilização criminal.
A Polícia Civil, por meio do 4º Distrito Policial, concluiu o inquérito e o encaminhou ao Ministério Público. O envio do procedimento ao MP, mesmo antes da conclusão dos laudos técnicos periciais, permite dar mais celeridade ao andamento do processo criminal. De acordo com a Polícia Civil, não há mudanças no curso da investigação nem no processo até o momento.
O crime aconteceu na madrugada de 12 de abril, após o show de Henrique & Juliano, próximo ao Franca Shopping. Segundo a investigação, uma discussão começou em um camarote do evento e envolveu Rafael Araldi Moreira e Marcelo Rossato, organizador do show. A mulher dela, Giovanna Abdalla, se aproximou e teria sido ofendida pelo acusado.
Horas depois, o casal foi até a casa de Araldi tirar satisfação. Eles bateram em portões com chute e golpes de cinto. O acusado reagiu a tiros e acertou Giovanna, que ficou gravemente ferida.
Araldi foi preso em flagrante por disparo de arma de fogo e lesão corporal, mas, após decisão da Justiça na audiência de custódia, o caso passou a ser investigado como dupla tentativa de homicídio.
Agora, com a revogação da prisão, Araldi responde em liberdade, enquanto a Polícia Civil e o Ministério Público aguardam novas provas para dar sequência ao caso.