11 de abril de 2026
VISITA A FRANCA

Só saio no fim da legislatura, diz Erika sobre Comissão da Mulher

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Pedro Dartibale/GCN
Deputada Érika Hilton durante discurso na Unesp Franca

A deputada federal Erika Hilton (PSOL) participou, na noite de sexta-feira, 10, de um encontro aberto ao público na Unesp (Universidade Estadual Paulista), em Franca. O evento, intitulado “Erika Hilton: Sem Pedir Licença”, reuniu aproximadamente 500 pessoas no auditório Marielle Franco, entre estudantes, apoiadores e membros da comunidade, para discutir representatividade, participação feminina e desafios enfrentados por mulheres na sociedade brasileira.

O espaço começou a receber o público por volta das 19h e foi gradualmente lotando. A deputada chegou cerca de às 20h30, sendo recepcionada com aplausos, gritos de “eleita” e manifestações de apoio. A atividade, gratuita e sem necessidade de inscrição prévia, teve duração de cerca de uma hora e meia e foi marcada por discursos políticos, críticas e defesa de pautas sociais.

Durante sua fala, Erika Hilton destacou sua atuação como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, cargo que assumiu recentemente. Ela rebateu críticas recebidas após sua eleição para a função e afirmou que permanecerá no posto até o fim do mandato. “Só saio dessa cadeira quando terminar a minha legislatura”, declarou.

A deputada também abordou temas como violência contra mulheres, pessoas trans, indígenas, negras e a comunidade LGBTQIA+, apontando o crescimento de ataques e discursos de ódio. “O ódio que se volta contra nós é um desespero. Eles têm medo de nós”, afirmou, ao defender maior igualdade social e ampliação de direitos.

Erika reforçou a importância da democracia e da representatividade, defendendo a ampliação da presença de mulheres, pessoas trans, indígenas e integrantes da comunidade LGBTQIA+ nos espaços de poder. “Precisamos eleger mais pessoas desses grupos para crescer na Câmara”, disse.

A parlamentar também mencionou a destinação de recursos para Franca, afirmando ter encaminhado R$ 350 mil para a Delegacia da Mulher do município. Além disso, criticou adversários políticos e questionou a atuação de opositores em relação a políticas públicas voltadas às mulheres.

No campo eleitoral, Erika Hilton declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e criticou o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência.

Outro ponto abordado foi a crítica à jornada de trabalho no modelo 6x1. Segundo a deputada, esse formato prejudica principalmente grupos mais vulneráveis. “A pessoa não tem tempo nem para viver nessa escala”, afirmou.

Contexto político e polêmica

A visita ocorre em meio à repercussão nacional após Erika Hilton assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. Eleita com 11 votos, ela se tornou a primeira mulher trans a ocupar o cargo, substituindo a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG).

Em seu discurso de posse, a parlamentar afirmou que sua gestão será marcada pelo diálogo e pela defesa ampla dos direitos das mulheres, incluindo mães solteiras, trabalhadoras, mulheres negras, indígenas e em situação de vulnerabilidade.

Entre as prioridades anunciadas estão a fiscalização da rede de proteção às mulheres, o enfrentamento da violência política de gênero e a promoção de políticas de saúde integral.

A eleição, no entanto, gerou críticas de deputadas da oposição, que questionaram a escolha e levantaram debates sobre representatividade. Parlamentares como Chris Tonietto (PL-RJ) e Clarissa Tércio (PP-PE) criticaram a condução da comissão, enquanto outras integrantes, como Laura Carneiro (PSD-RJ), defenderam a importância de manter o foco na garantia de direitos das mulheres, independentemente de divergências ideológicas.