10 de abril de 2026
PEDE JUSTIÇA

‘Sinto saudade dos meus filhos’, diz garçom absolvido em Franca

Por Laís Bachur | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Sampi/Franca
Laís Bachur/GCN
Garçom acusado de abusar dos filhos e matar Wesley deu entrevista ao portal GCN

Após ser absolvido pela Justiça por falta de provas em todas as acusações, o garçom de 40 anos apontado como suspeito de abusar dos próprios filhos e de supostamente ter envolvimento no desaparecimento do menino Wesley, em Franca, falou pela primeira vez em entrevista exclusiva ao portal GCN/Sampi, nesta quinta-feira, 9. Ele afirmou que pretende recorrer judicialmente e cobrar que a ex-companheira prove tudo o que disse.

“Ela me acusou de ter feito isso com meus filhos, de ter pegado a blusa do menino Wesley. Agora ela vai ter que provar na Justiça. Vamos ver se tem justiça mesmo nesse país”, declarou.

O homem foi investigado após denúncias feitas pela ex-companheira em 2024. Apesar da repercussão e da gravidade das acusações, a Justiça entendeu que não há provas suficientes para condenação.

Durante a entrevista, ele reforçou que sempre sustentou sua inocência. “Eu sempre fui inocente, eu falei. O que passou não tem como voltar, mas graças a Deus a justiça foi feita”, disse, emocionado.

“Foi um choque”: acusado relata impactos das acusações

O garçom contou que recebeu as denúncias com surpresa e descreveu o período como um dos mais difíceis de sua vida. Segundo ele, houve medo, ameaças e perda total de contato com os filhos.

“Foi um choque emocional muito grande. Eu fiquei com medo, eu não esperava isso não, foi um baque. Jogaram pedra na casa da minha mãe, precisei trocar o número do celular. Sofri diversas ameaças”, relatou.

Ele afirmou que, desde o início do caso, perdeu a guarda dos três filhos e nunca mais teve contato com dois deles. “As crianças ficaram em uma casa de apoio, eu não sei deles, nunca mais vi eles. Não sei onde estão, nem como estão”, disse.

Família separada e rotina destruída

O acusado também contou que precisou mudar completamente sua rotina por medo e para evitar prejuízos no trabalho. Garçom há anos, ele optou por deixar empregos fixos.

“Eu ficava só com freelance. Já pensou eu estar trabalhando e a polícia chegar? Os clientes não querem saber, eu não podia atrapalhar quem não tinha nada a ver”, afirmou.

Ele ainda destacou que, em um dos episódios citados pela ex-companheira, tinha alibi comprovado. “No meu último serviço, o meu próprio patrão foi testemunha para mim. No dia que ela disse que eu tinha feito aquilo com minha filha, eu estava trabalhando. Não tinha fundamento nas denúncias dela”.

Acusações sobre o caso Wesley também não foram comprovadas

Entre as denúncias, a ex-companheira chegou a afirmar que o homem teria envolvimento no desaparecimento do menino Wesley, ocorrido em agosto de 2020. Segundo ela, o próprio filho teria relatado que o pai levou o garoto para casa desacordado, cometeu abuso e depois o matou, escondendo o corpo em uma área de mata.

Com base nesses relatos, a polícia realizou novas buscas no dia 2 de julho de 2024, mas nenhum vestígio foi encontrado após horas de procura.

O caso já havia sido arquivado anteriormente por falta de provas pelo delegado responsável pela investigação.
“Eu tinha medo de represálias, porque foi algo muito pesado. Mas eu sabia que ia demorar, mas a verdade ia sair”, afirmou.

Filho enfrenta depressão e família deixa a cidade

O filho mais velho, segundo o acusado, enfrenta problemas emocionais após todo o caso e segue em acompanhamento psicológico. “Ele ficou com depressão, tentou suicídio, é difícil demais. Quando ele ficou lá, não tinha contato com ninguém, nem pelo celular. Ele disse que preferia morrer”, contou, emocionado.

Atualmente, o homem mora com esse filho, único com quem conseguiu retomar o convívio. Os outros dois seguem sem contato há cerca de três anos.

A família também deixou Franca após sofrer ataques.
“Tenho apoio, mas de longe. Depois das denúncias, apedrejaram nossa casa, minha família foi embora por medo”, disse.

“Quero que ela prove”: acusado diz que vai buscar reparação

Mesmo com a absolvição, o garçom afirmou que ainda busca justiça e quer responsabilização pelas acusações.

“Pelo menos uma parte está aliviada. Agora é esperar justiça, porque eu vou provar que ela está errada. Quero que ela pague pelo que fez. Sou um homem trabalhador, honesto, isso foi desumano”, declarou.

Sem entender o motivo das denúncias, ele disse carregar sequelas até hoje. “Eu não faço ideia por que ela fez isso. Só eu sei o que eu passei. Até hoje eu carrego isso. Espero que ela pague pelo que fez comigo”.

Ao final da entrevista, emocionado, ele resumiu o sentimento que diz carregar desde o início do caso: “eu só sinto saudade dos meus filhos”.