07 de abril de 2026
AJUDE

Após perder a língua para câncer, Pablo luta por tratamento

Por Leonardo de Oliveira | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Leonardo de Oliveira/GCN
Alessandra Schirato Peres Machado, o fiel Jack e Pablo Schirato Peres

Uma ferida na língua que não cicatrizava foi o primeiro sinal de um problema que mudaria completamente a vida de Pablo Schirato Peres, de 44 anos, morador de Franca.

O caso começou em agosto de 2024, quando ele percebeu uma pequena lesão. Procurou atendimento em diferentes serviços de saúde, passou por dentistas, UPA e UBS, mas não houve suspeita inicial de algo mais grave. A persistência do ferimento, no entanto, levou à busca por avaliação especializada.

A confirmação veio em novembro: carcinoma de células escamosas, um tipo de câncer agressivo.

Desde então, a história de Pablo passou a ser contada pela irmã, Alessandra Schirato Peres Machado - já que ele não consegue mais falar, após a evolução da doença.

Cirurgias e avanço rápido da doença

Com o diagnóstico, Pablo foi encaminhado para tratamento oncológico e passou pela primeira cirurgia em janeiro de 2025, na Santa Casa de Franca. No procedimento, foi retirada metade da língua, além de 41 linfonodos do pescoço.

Dias depois, complicações no pós-operatório exigiram uma nova intervenção. Após a recuperação, ele iniciou o tratamento complementar, com 33 sessões de radioterapia e 7 de quimioterapia, finalizadas em junho daquele ano.

Apesar dos esforços médicos, o câncer voltou em setembro, apenas três meses depois, desta vez de forma ainda mais agressiva, comprometendo toda a língua.

A retirada total da língua

Diante da progressão da doença, Pablo passou por uma nova cirurgia em dezembro de 2025. O procedimento envolveu a retirada completa da língua, além de parte da mandíbula, remoção de dentes e um enxerto para reconstrução da região.

Desde então, ele passou a utilizar traqueostomia para respirar e alimentação por sonda diretamente no estômago. “Ele não está falando no momento, ele teve que tirar a língua”, relata Alessandra.

Em fevereiro de 2026, no entanto, exames apontaram nova recidiva do câncer, agora na base da língua. Segundo a equipe médica, não há mais possibilidade de cirurgia na região.

Tratamento de alto custo

Com a limitação das abordagens convencionais, a alternativa indicada passou a ser a imunoterapia. A medicação prescrita é o pembrolizumabe, com aplicação a cada três semanas, podendo chegar a até 35 ciclos, conforme evolução do paciente.

O custo, porém, é um dos principais entraves. Cada aplicação pode ultrapassar R$ 22 mil, sendo necessárias duas doses por sessão. O tratamento completo pode se aproximar de R$ 1 milhão.

O medicamento não é fornecido pelo SUS neste caso, e a família tenta acesso por meio da Justiça. “A gente fica perdido, porque o tratamento não pode esperar”, diz a irmã.

Benefício negado e dificuldades financeiras

Além da luta contra o câncer, Pablo também enfrentou dificuldades para acessar o benefício do INSS. Segundo a família, o pedido foi negado duas vezes em 2025, deixando-o cerca de quatro meses sem qualquer renda durante o tratamento. “Ele ficou sem receber nada. E já doente, já precisando de tudo. Como que faz?”, questiona Alessandra.

Atualmente, ele recebe cerca de R$ 1.800 mensais, valor considerado insuficiente para cobrir despesas básicas e os custos do tratamento.

Rotina e apoio

Sem conseguir se alimentar pela boca, Pablo depende de dietas especiais e suplementos. Ainda assim, perdeu peso de forma significativa: hoje está com menos de 50 quilos, apesar de ter 1,80 metro de altura. Os custos incluem alimentação específica, medicamentos, contas domésticas e manutenção básica.

Ele mora sozinho, mas conta com o apoio constante de familiares, amigos e vizinhos, que ajudam na rotina e nos cuidados diários. Seu principal companheiro é Jack, um cachorrinho que não sai do lado do tutor nem para latir com os animais que passeiam em frente ao prédio onde moram.

Burocracia e realidade dos pacientes

A família também relata dificuldades no acesso a serviços e direitos. Para dar entrada no processo judicial, foi necessário pagar por consulta particular para obtenção de laudo médico.

“É muita burocracia. E quem não tem esse dinheiro?”, questiona Alessandra, emocionada. Ela também chama atenção para a realidade de outros pacientes. “Tem muita gente que vem de fora, que não tem nem como vir fazer o tratamento. É muita gente precisando.”

De acordo com informações médicas, o câncer de Pablo não está associado a fatores comuns como tabagismo, consumo de álcool ou HPV, principais causas conhecidas para este tipo da doença. A suspeita é de que esteja ligado a fatores externos, como exposição a agentes químicos.

O caso reforça a importância de atenção a sinais persistentes. “Começou com uma feridinha. Se não cicatriza, tem que investigar”, alerta a irmã.

Como ajudar

A família realiza uma campanha para arrecadar recursos que auxiliem no custeio do tratamento e das despesas diárias. Além de contribuições financeiras, também são necessárias doações de alimentos e suplementos, como leite, whey protein, creatina e dietas específicas para alimentação por sonda. “Qualquer ajuda faz diferença”, reforça.

Sem poder falar, Pablo depende hoje da voz de quem está ao seu lado para que sua história seja conhecida. Você também pode contribuir com qualquer valor através da chave pix: 16992077473. Para os que não podem contribuir no momento, doações de suplementos alimentares também podem ser feitas através do contato de Alessandra: (16) 99207-7473.