O pesquisador francano Adriel Cunha apresentou, na sede da Unesco, em Brasília, o protótipo do livro “Agenda TEA+ 2040: Da escuta ativa à autonomia, da teoria à prática: um projeto de Estado inclusivo”. A obra reúne diretrizes voltadas à formulação de políticas públicas para pessoas neurodivergentes e busca aproximar teoria e prática no campo da inclusão.
A apresentação ocorreu com acompanhamento da oficial de programa na área de educação, Mariana Braga, que posteriormente aceitou o convite para assinar o prefácio do livro. No texto, ela define a obra como “um marco de responsabilização social” e destaca a importância de conectar a produção de conhecimento às vivências reais fora do ambiente acadêmico.
Ainda em fase final de ajustes técnicos e tradução, o projeto já nasce com ambição internacional. Segundo o autor, a meta é distribuir o livro gratuitamente em mais de 100 países, alcançando órgãos públicos, instituições de ensino e universidades. "A proposta é ampliar o debate sobre inclusão, políticas sociais e direitos das pessoas neurodivergentes em escala global", disse Cunha.
O conteúdo combina fundamentação teórica com orientações práticas direcionadas a famílias, profissionais e ao próprio público neurodivergente. Entre os temas abordados, estão caminhos para acesso a direitos e serviços, além da divulgação de garantias ainda pouco conhecidas, como a possibilidade de responsáveis legais se dedicarem integralmente ao cuidado de pessoas com autismo em casos de alta demanda, mediante comprovação e inscrição no CadÚnico.
A construção do livro tem como base experiências do Fórum Interestadual TEA+ | Agenda 2040, iniciativa idealizada pelo autor que reuniu participantes de diversas regiões do país. "A partir dessas discussões, foi consolidada uma premissa central: políticas públicas devem ser construídas com a participação das pessoas diretamente impactadas."
Estimativas citadas pelo pesquisador indicam que até 20% da população mundial vivencia algum tipo de neurodivergência, o que reforça a necessidade de políticas inclusivas mais efetivas. Para ele, o desafio está em tornar essas políticas acessíveis e aplicáveis no cotidiano. “Esse livro não foi feito para ficar na estante. Foi feito para chegar na mão de quem mais precisa”, afirma.
Além da publicação, o projeto prevê desdobramentos futuros, como a criação de um fórum intercontinental voltado à educação inclusiva, com foco no uso de tecnologias e inteligência artificial para ampliar o acesso e a equidade.
"Agradeço à professora Lilian Cristina Gomes do Nascimento, pelas contribuições na revisão e pela participação na agenda em Brasília, bem como ao professor Ricardo Andrade Furtado, ao Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde da Universidade de Franca e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior pelo suporte ao desenvolvimento acadêmico", disse o pesquisador.
Antes da projeção internacional, a obra teve início em um ambiente simbólico: a Escola "Michel Haber", em Franca, reconhecida pelo trabalho com inclusão. O lançamento oficial, com a entrega do exemplar nº 001, está previsto para as próximas semanas, dentro das ações do Abril Azul - Mês da Conscientização do Transtorno do Espectro Autista, cujo dia é celebrado nesta quinta-feira, 2.
A diretora da escola, Katielli Fonseca, destacou o significado da iniciativa e o compromisso com a continuidade do trabalho inclusivo. “Sentimos a responsabilidade de abrir caminhos e dar voz àqueles que historicamente foram colocados à margem”, afirmou.
O projeto também dialoga com a trajetória acadêmica do autor e deverá contribuir como base para sua tese de doutorado, que inclui propostas de diretrizes e até mesmo de um projeto de lei voltado ao fortalecimento da inclusão.