08 de abril de 2026
NEGÓCIOS

Claudinei Sousa, do Big Compra: da roça ao bilhão

Por Hevertom Talles | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Hevertom Talles/GCN
Claudinei Souza, fundador do Big Compra, em entrevista à rádio Difusora

A história de Claudinei Sousa não começa em salas de reunião ou cursos de gestão. Começa na terra, no esforço físico da roça, ainda na infância, quando o trabalho não era escolha - era necessidade. Filho de uma família humilde, ele viu a vida exigir maturidade cedo demais: aos 7 anos já ajudava no sustento, e aos 13 deu seus primeiros passos no setor supermercadista, como empacotador. Ali, entre corredores e prateleiras, começava a ser construída uma trajetória improvável.

Sem formação acadêmica formal, Claudinei transformou o cotidiano em aprendizado. Fez do supermercado sua escola, da prática sua teoria, da observação sua estratégia. Décadas depois, aquele menino que carregava sacolas se tornaria o fundador de uma das grandes redes regionais do setor: o Big Compra.

O empresário Claudinei Sousa participou do programa A Hora é Essa!, da rádio Difusora AM de Franca, no último dia 30. Em entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr., o fundador da rede Big Compra relembrou sua trajetória, destacou sua atuação junto à rede e anunciou investimentos. Quando questionado por que trabalha tanto, mesmo tento uma empresa que fatura R$ 500 milhões por ano, ele foi curto: "Porque eu amo o que eu faço".

Dez lojas, 11ª a caminho e 500 empregos em Franca

Claudinei Sousa destacou que o crescimento acelerado da rede nos últimos anos trouxe novos desafios de gestão. Atualmente, o Big Compra conta com dez lojas e mais de 1.100 funcionários. O grupo está presente em Franca (4 lojas), Ribeirão Preto (4 lojas), São Joaquim da Barra (1 loja) e Ituverava (1 loja).

“Quando você cresce, precisa criar novos departamentos, processos e controles. Isso exige adaptação constante”, afirmou.

O grupo segue em expansão e prepara a inauguração de uma nova unidade em Franca, no Jardim Cambuí. A loja será a 11ª da rede e a quinta no município, reforçando a presença da marca na cidade, que se tornou uma das principais praças do grupo.

A nova unidade deve gerar entre 120 e 130 empregos diretos, ampliando ainda mais o impacto da empresa na economia local. Atualmente, o Big Compra já emprega cerca de 500 pessoas apenas em Franca, número que deve ultrapassar os 600 com a abertura da nova loja.

‘O sonho da empresa vem depois do sonho das pessoas’

Mas, para Claudinei, números nunca foram o principal indicador de sucesso. Ao longo da entrevista, ele deixou claro que enxerga a empresa como um instrumento de transformação social. Mais do que faturamento - que já ultrapassa R$ 500 milhões anuais e tem meta de chegar a R$ 1 bilhão -, o empresário fala em sonhos compartilhados.

A lógica que sustenta o crescimento do Big Compra passa, antes de tudo, pelas pessoas. “Antes de atingir o sonho da empresa, eu quero ajudar a realizar o sonho das pessoas que trabalham comigo”, afirmou.

'Minha faculdade foi o supermercado'

Claudinei também relembrou sua trajetória pessoal. Ele começou a trabalhar ainda na infância, na roça, e aos 13 anos ingressou no setor supermercadista como empacotador. Sem formação acadêmica formal, construiu a carreira dentro das lojas. “Tudo que eu sei, aprendi na prática. Minha faculdade foi o supermercado”, afirmou.

O empresário narrou que começou a trabalhar na roça aos 7 anos, em Orlândia. "Meu pai morreu aos 40 anos, deixando minha mãe com quatro filhos pequenos. Eu cortava cana e apanhava café", contou. "Não nasci chefe. Aprendi tudo com o corpo, trabalhando. Por isso, quando há uma falha, faço questão de corrigir, pois a empresa foi construída com muito suor."

Claudinei ressaltou que tem apenas o “primário completo”, mas se disse um “devorador de livros”. “Busco conhecimento para estar à altura da empresa. Me cerquei de pessoas competentes para organizar a empresa perante os órgãos fiscais e ministérios. Esse crescimento me distanciou um pouco da operação, mas agora estou de volta ao ‘chão de loja’.”

É nessa frase que reside talvez a maior lição de Claudinei: saber o que não sabe, e ter a humildade de buscar quem sabe. Há empreendedores que crescem até o limite de sua própria competência e estacionam. Ele escolheu outro caminho.

Crise sanitária: o dono foi ao chão de loja enfrentar

E foi justamente essa proximidade que marcou sua reação diante do momento mais delicado recente da empresa. Quando denúncias envolvendo uma unidade em Franca vieram à tona - com relatos de problemas sanitários e suspeitas sobre produtos -, o empresário tomou uma decisão que revela sua forma de liderar: não recuou.

Interrompeu compromissos em São Paulo, voltou imediatamente à cidade e mergulhou na rotina da loja. Durante uma semana inteira, acompanhou de perto cada processo, reorganizou setores, reforçou protocolos e liderou pessoalmente as mudanças necessárias. "Fizemos tudo para resgatar a confiança."

Sem negar falhas, tratou o episódio como um ponto de virada. A crise, que poderia fragilizar a imagem da rede, acabou expondo um traço central de sua trajetória: a disposição de enfrentar problemas de frente.

“Se o dono se esconde diante de um problema, ele não merece ter a empresa”, resumiu. "Franca nos acolheu muito bem; empregamos quase 500 pessoas aqui e vamos contratar mais 130 para a nova loja no Jardim Cambuí", completou.