23 de março de 2026
DENÚNCIAS

Mais mulheres relatam desrespeito de médico acusado de assédio

Por Laís Bachur | de Franca
| Tempo de leitura: 2 min
WhatsApp/GCN
Viatura da PM saindo com o médico João Batista, da UPA do Jardim Aeroporto, após denúncia de abuso

Duas mulheres relataram à equipe do portal GCN/Sampi experiências ruins e constrangedoras que afirmaram ter enfrentado com o médico João Batista de Resende. A denúncia que levou ao afastamento do médico aconteceu na quarta-feira, 18, e, após a divulgação, outras mulheres registraram boletins de ocorrência, relatando à polícia o que passaram. O portal também conversou com algumas delas.

Uma outra mulher, que preferiu não se identificar, afirma que já foi desrespeitada pelo médico João e que se sentiu muito ofendida. Ela, que na época tinha 20 anos, foi atendida em uma consulta com o médico, quando ele disse palavras que a deixaram incrédula.

“Toda vez que eu estava na UPA e ele estava lá, eu esperava chamar o próximo e não passava com ele. Ele sempre estava com uma blusa de Nossa Senhora e sempre passava um lápis de olho, ele é inconfundível. Ele falou para mim que a minha diferença para uma prostituta é que a prostituta cobrava e eu fazia de graça. Eu fiquei horrorizada. Eu senti uma vergonha tão grande. Eu nunca mais esqueço disso na minha vida, foi muito ofensivo”, disse uma das vítimas.

Outro relato que chegou à equipe foi de uma mulher que hoje tem 45 anos. A denúncia dela retrata um caso que aconteceu há mais de dois anos. “Eu fui consultar porque estava com dor na coluna, na lombar, e eu estava de vestido, só que costumo usar shortinho por baixo do vestido. Ele me perguntou onde doía, mostrei para ele, e ele pediu para eu subir o vestido. Quando subi, ele enfiou a mão por dentro do meu short. Ele colocou a mão em mim. Eu achei desnecessário, fiquei desnorteada, sem reação no momento. Saí sem saber o que fazer da sala, contei para meu esposo, mas não sabíamos que atitude tomar, por se tratar de um médico. Eu nunca tinha passado por situações assim e também não sabia de ocorrências desse médico até ver a reportagem. Daí eu concluí que foi intencional a atitude dele. Já vai para quase dois anos isso. Quando tenho que passar pela UPA, já me informo se é ele que está no plantão. Eu quis me pronunciar, para este homem não ficar impune e não ter mais vítimas. Achei um absurdo ele sair da cadeia.”

O médico foi preso na semana passada, após uma jovem afirma que ele a tocou no seio, mas acabou liberado e responderá ao processo em liberdade. Mas, segundo a delegada Juliana Paiva, titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), isso pode mudar dependendo do andamento das investigações. Caso apareçam mais vítimas e novos fatos, ela poderá solicitar novamente a prisão preventiva.

A reportagem tenta contato com a defesa do médico e, assim que conseguir e obtiver uma resposta, este texto será atualizado.

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