Nem mesmo um dos símbolos mais afetivos da cidade escapou da ação de criminosos. O tradicional Monumento à Mãe, localizado no cruzamento das ruas Estevão Leão Bourroul e Simão Caleiro, no centro de Franca, teve os braços da figura materna e a perna do bebê arrancados, possivelmente para venda como sucata. Mas curiosamente, a mensagem da obra segue mais viva do que nunca.
A cena, que mistura revolta e incredulidade, acabou ganhando também um significado inesperado: mesmo mutilada, a imagem ainda transmite a essência do amor materno - como se dissesse que, com ou sem braços, mãe continua sendo mãe.
E tem mais: mesmo ferida, a mãe segue “cuidando” de um bebê também machucado. A imagem, que já simbolizava amor, agora parece ganhar um novo significado, o de que, mesmo em pedaços, ainda dá pra acolher, proteger e até ajudar a “curar” o filho que também foi atingido.
A equipe do portal GCN/Sampi esteve no local e constatou que a estrutura da estátua é oca, mas composta por camadas grossas de material, o que indica que as partes foram serradas com algum tipo de ferramenta.
Ou seja: não foi um ato impulsivo — houve esforço, tempo e, intenção.
Para quem passa apressado, o vandalismo pode até passar despercebido. Mas para quem observa com calma, o impacto é imediato.
O entregador Fernando Aurélio, que trabalha na região, contou que só percebeu ao olhar melhor. “Nossa, sério? Eu não tinha visto… Que dó! E eles fazem isso para trocar por migalha, a preço de banana, trocam por qualquer coisinha. Olha o que fazem com um patrimônio… Não estão nem aí.”
Já Juliana Silva, que trabalha em uma clínica, em frente ao monumento, afirma que o vandalismo é recente. “Semana passada ela não estava assim, eu tenho certeza. Foi essa semana. Olha que coisa triste, que dó.”
Instalada há cerca de 70 anos, a estátua sempre foi um marco afetivo da cidade, representando o amor, o cuidado e o sacrifício materno. E, curiosamente, mesmo após a ação criminosa, o simbolismo permanece - talvez até mais forte.
A imagem agora sugere algo quase poético: uma mãe que continua cuidando, mesmo depois de ter sido ferida.
Este não é um caso isolado. É o segundo monumento vandalizado em poucos dias na cidade.
No bairro Estação, na Praça “Sabino Loureiro”, outra estátua - 'Menino tirando estepe', também com cerca de 70 anos - teve partes arrancadas recentemente.
A suspeita é de que os materiais, possivelmente de bronze, estejam sendo levados para venda por "preço de banana", como disse Fernando.
A situação chama atenção por um detalhe quase irônico - e revoltante ao mesmo tempo. Peças que carregam décadas de história, cultura e significado acabam sendo destruídas por quem, muitas vezes, não vê valor algum nisso - qualquer quantia já basta.
E assim, pouco a pouco, a cidade vai perdendo partes da sua própria memória.
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