A abertura da safra do café reuniu autoridades, lideranças do agronegócio e representantes de trabalhadores nesta sexta-feira, 20, no auditório do Hotel Dan Inn, no Núcleo Agrícola Alpha, em Franca, com foco na valorização do trabalho decente, no combate ao trabalho infantil e escravo e no fortalecimento do setor cafeeiro, um dos pilares da economia brasileira.
O evento contou com a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, além de representantes de cooperativas, entidades exportadoras, poder público e Ministério Público do Trabalho. A cerimônia marcou a reafirmação do Pacto pelo Trabalho Decente na Cafeicultura.
A mesa diretora reuniu nomes estratégicos do setor e do poder público, evidenciando a articulação entre diferentes esferas para enfrentar desafios da cafeicultura, como Saulo Carvalho Faleiros, diretor-presidente da Cocapec; Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé; Fransérgio Garcia (PL), presidente da Câmara Municipal de Franca; Ronaldo Lima, vice-procurador-chefe da 15ª Região; Lucimara Prado, secretária de Desenvolvimento de Franca e representante do prefeito Alexandre Ferreira (MDB); e Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego.
Durante os discursos, lideranças destacaram o peso econômico do café. Segundo Marcos Matos, o Brasil exportou cerca de US$ 16 bilhões em café no último ano, consolidando o produto como estratégico para a balança comercial.
Ele ressaltou que o setor precisa avançar na agenda social para manter credibilidade internacional. “Promover o trabalho decente é essencial, inclusive para garantir a confiança dos importadores globais”, afirmou.
Saulo Carvalho Faleiros, da Cocapec, reforçou a importância do diálogo com o governo para a evolução do pacto trabalhista. A cooperativa, segundo ele, exporta para dezenas de países, o que exige padrões elevados de responsabilidade social.
O ponto central da cerimônia foi o enfrentamento ao trabalho degradante. O vice-procurador Ronaldo Lima destacou que ainda há registros de condições irregulares no campo, embora o cenário esteja em evolução. “O mínimo que buscamos é dignidade para o trabalhador rural”, afirmou, ao defender atuação conjunta entre instituições.
Já o ministro Luiz Marinho foi enfático ao alertar que casos de trabalho escravo ou infantil prejudicam toda a cadeia produtiva. “Quando há uma ocorrência, contamina a imagem do Brasil e pode afetar exportações”, disse.
Ele defendeu que a solução depende de ação coletiva, e não apenas da fiscalização estatal.
Outro tema abordado foi a escassez de mão de obra no campo. Marinho rebateu a ideia de que programas sociais desestimulam o trabalho.
Segundo ele, dados mostram que a maioria das vagas formais recentes foi ocupada por jovens, o que contraria a percepção de desinteresse pelo emprego formal.
A secretária Lucimara Prado também destacou desafios locais, afirmando que Franca enfrenta escassez de trabalhadores qualificados. Ela citou iniciativas municipais para aproximar empregadores e trabalhadores e ampliar a empregabilidade.
As falas convergiram para um ponto crítico: a relação entre práticas trabalhistas e mercado externo. Representantes do setor alertaram que países importadores exigem garantias de sustentabilidade social.
A adoção de boas práticas, portanto, é vista como fator decisivo para manter e ampliar mercados.
Além disso, o ministro mencionou impactos indiretos do cenário internacional, como conflitos que afetam o preço do petróleo e elevam custos logísticos, impactando a competitividade do café brasileiro.