20 de março de 2026
FORAGIDO

Acusado de matar jovem em bar de Franca ameaça mãe da vítima

Por Hevertom Talles | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Maycon Aurélio Siqueira, de 43 anos, acusado de matar Hugo Henrique Barbosa dos Santos, de 21 anos

O sapateiro Maycon Aurélio Siqueira, de 43 anos, foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio qualificado após matar o jovem Hugo Henrique Barbosa dos Santos, de 21 anos, em Franca. O crime ocorreu na madrugada de 23 de agosto de 2025 e, segundo o processo, teria sido motivado por uma discussão banal em um bar. Após o assassinato, a mãe da vítima também teria sido ameaçada.

Discussão banal terminou em morte

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Hugo estava em um bar, no Jardim Aeroporto III, acompanhado de amigos e da irmã, quando Maycon chegou ao local.

Durante a conversa, os dois passaram a trocar provocações em tom inicialmente descontraído. Testemunhas relataram que Maycon teria dito que já havia se relacionado com a irmã de Hugo. Em resposta, o jovem teria feito comentários envolvendo a filha do acusado - o que teria gerado irritação.

Apesar do clima aparentemente ter sido amenizado, a situação evoluiu de forma violenta.

Segundo a investigação, Maycon foi até seu carro, onde mantinha uma arma de fogo de forma ilegal, e quando Hugo caminhava em direção ao veículo, foi surpreendido por três disparos feitos, sem chance de defesa.

Vítima ficou internada e morreu dias depois

Hugo foi atingido no tórax e socorrido inicialmente à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto, sendo depois transferido para a Santa Casa. Ele permaneceu internado por oito dias, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 30 de agosto, em decorrência de traumatismo torácico causado pelos tiros.

Versões do caso

As investigações apontam que o crime foi motivado por motivo fútil, uma discussão banal, e executado de forma que dificultou a defesa da vítima.

Já a versão inicial colhida no boletim de ocorrência indica que o autor teria chegado ao local e atirado logo após se aproximar de Hugo, sem que fosse possível identificar um conflito claro no momento.

A irmã da vítima afirmou à polícia que havia tido um breve envolvimento com Maycon no passado, mas disse desconhecer qualquer desavença entre ele e Hugo.

Apresentação à polícia e liberdade inicial

Após o crime, Maycon fugiu do local e não foi preso em flagrante. Posteriormente, ele se apresentou à polícia com advogado, prestou sua versão dos fatos e, naquele momento, permaneceu em liberdade.

No entanto, com o avanço das investigações foi pedida a prisão preventiva de Maycon, que não ocorreu até o momento. O MP fez oferecimento da denúncia e pediu a prisão preventiva do acusado, destacando que ele fugiu do distrito da culpa após a morte da vítima.

Atualmente, ele é considerado foragido da Justiça.

Ameaça à mãe da vítima

Além do homicídio, o caso ganhou um desdobramento ainda mais grave com o registro formal de ameaça feito pela mãe de Hugo. Segundo relato prestado por ela à polícia, o episódio mais recente ocorreu no final de novembro enquanto trabalhava em um bar na avenida César Martins Pirajá. Na ocasião, Maycon teria parado o carro nas proximidades, sem que ela percebesse sua presença. Em seguida, ele conversou com um rapaz conhecido da vítima e foi embora.

Pouco depois, esse conhecido teria procurado a mãe de Hugo e repassado a ameaça. Maycon teria dito que “a próxima a morrer vai ser ela”, em referência direta à vítima, além de ter exibido uma arma de fogo durante a conversa.

No depoimento, a mulher também relatou que, desde o assassinato do filho, vem sendo alvo de perseguições e novas intimidações. Segundo ela, o acusado já teria feito ameaças não apenas contra ela, mas também contra outros membros da família, incluindo seus filhos.

Ainda de acordo com o registro, a vítima afirma viver com medo, destacando que Maycon conhece tanto o endereço onde ela mora quanto o local onde trabalha, o que aumenta a sensação de vulnerabilidade.

Esse conjunto de elementos reforçou o entendimento do Ministério Público de que há risco concreto à integridade da vítima e de testemunhas. Na manifestação apresentada no processo, a Promotoria sustenta que a liberdade do acusado pode comprometer a segurança dos envolvidos e a própria condução do caso, sendo esse um dos fundamentos para o pedido de prisão preventiva.

Diante da escalada de violência que inclui o homicídio e as ameaças posteriores, a família de Hugo segue cobrando Justiça e medidas que garantam proteção e responsabilização do acusado.

A família do jovem fez o apelo por Justiça. "Minha mãe teve um infarto recente. Após a morte do meu irmão, eu tenho que lidar todos os dias com a minha filha segurando uma foto do tio dela chorando de saudade e eu não posso fazer nada. Enquanto isso, a polícia nos enrola e não prende esse assassino", desabafou Emili Barbosa, irmã de Hugo.

Acusação

Maycon foi denunciado por homicídio qualificado (por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima) e porte ilegal de arma de fogo.

O caso ainda não tem data para ser julgamento pelo Tribunal do Júri.

A defesa dele foi procurada para comentar o caso, mas não retornou o contato.

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