O médico João Batista de Resende, de 67 anos, foi preso na tarde desta quarta-feira, 18, suspeito de passar à mão nos seios de uma jovem de 18 anos, dentro da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto, na região Sul de Franca. Ele foi afastado de suas funções pela Prefeitura. À Polícia Militar, o profissional de saúde informou que aferiu a temperatura apenas na região do pescoço e que estava sem termômetro naquele momento.
Segundo a denúncia, durante o atendimento, ele teria colocado a mão por dentro da blusa e do sutiã de uma jovem, tocando seus seios, o que causou medo e revolta na mulher.
A jovem procurou atendimento médico após apresentar dor de garganta. Assustada com a situação, ela aguardou a chegada da mãe, de 39 anos, para relatar o ocorrido.
“Fui buscá-la e ela estava chorando, mas, até então, eu não percebi nada diferente. Quando ela chegou até o meu carro e foi entrando, disse: ‘mãe, eu fui abusada’. Aí eu perguntei: ‘mas abusada como?’. Então ela me contou: ‘o médico levantou minha blusa e colocou a mão nos meus seios’.”, relatou a mãe da jovem.
Após ser informada sobre o suposto abuso sofrido pela filha, a mãe decidiu procurar o médico. Ao se aproximar do consultório, ela também teria sido alvo do suspeito, que teria dito: “Ei, que morena”.
Mesmo sem saber inicialmente que se tratava de João Batista, a mulher desconfiou da situação e questionou a filha. “Na hora, já veio aquilo na minha cabeça. Eu pensei: ‘será, gente, que é a mesma pessoa?’. Perguntei rápido para a minha filha: ‘é ele?’. E ela confirmou: ‘sim, é ele’. No momento em que eu fui para cima, já juntaram um monte de seguranças”.
Familiares das supostas vítimas também foram até a unidade, o que gerou aglomeração e revolta no local. “Eu só lembro de cair no chão, com várias pessoas me segurando. Liguei para alguns familiares meus, que foram até lá. Depois, teve uma confusão ali na rua também, porque o pessoal ficou revoltado”, completou a mãe.
Ainda segundo a mãe da jovem, durante a confusão, ela teria ouvido que não foi o primeiro caso envolvendo o médico. “Ouvi pessoas dentro do hospital falando: ‘o doutor ataca de novo’.”
A mulher disse que ela e sua filha estão em estado de choque. “Porque a gente vai procurar um hospital por causa de uma dor de garganta e acontece tudo isso. Ela chora para mim e fala: ‘mãe, eu só queria pegar um remédio, mãe, e aconteceu tudo isso’. Então é muito dolorido”.
O Cabo da Polícia Militar Igor Caetano relatou que a equipe foi acionada para ir até a UPA. Após conversar com a paciente, o médico foi questionado sobre os acontecimentos. “Em contato com o médico, ele informou que apenas aferiu a temperatura, mas na região do pescoço. Alegou que no momento ele não teria termômetro no consultório”, disse o policial.
“Aqui, a princípio, foi ratificada a voz de prisão. Mas ainda não tem a tipificação. A doutora ainda não sabe se vai fazer importunação sexual ou tentativa de estupro”, completou Igor Caetano.
Ainda segundo o cabo, o médico afirmou que já tem passagem na delegacia. “Ele mesmo informa que tem uma passagem pelo mesmo fato, pelo mesmo crime, mas por ser de outro estado (MG), aqui a gente não conseguiu ainda puxar. Mas ele alega que já teve um problema semelhante.”
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que tomou conhecimento do ocorrido na tarde desta quarta-feira, envolvendo um profissional da UPA do Aeroporto.
O profissional foi “imediatamente afastado” de suas funções e encaminhado à DDM. “A Secretaria comunica que foi instaurado, de forma imediata, um procedimento administrativo para apuração rigorosa dos fatos, com a adoção de todas as medidas cabíveis”, diz a nota.
O caso será investigado e ele poderá responder por importunação sexual, podendo também ter a conduta enquadrada como crime mais grave, como estupro, a depender da apuração.
“Eu espero que a Justiça seja feita, que ele continue preso e que apareçam mais pessoas com coragem de denunciar, porque, do jeito que a gente viu ali, não é a primeira vez”, finalizou a mãe.
O espaço segue aberto para a defesa do médico João Batista de Resende em caso de manifestações.