O Ministério Público Federal e a Polícia Federal deflagraram, na manhã desta terça-feira (10), a Operação Costeau, que apura a atuação de um grupo suspeito de enviar cocaína do Brasil para a Europa a partir do Porto de Santos.
Na ação, estão sendo cumpridos três mandados de prisão temporária e oito mandados de busca e apreensão nas cidades de Santos e Valinhos. As ordens judiciais foram expedidas pela 5ª Vara Federal de Santos.
A operação mobiliza mais de 40 policiais federais e conta com cooperação internacional entre autoridades brasileiras e francesas. A investigação é conduzida por uma equipe conjunta de investigação (ECI) formada por integrantes do MPF, da Jurisdição Inter-regional Especializada de Rennes, além de policiais federais dos dois países.
O grupo também tem apoio da Eurojust, responsável por facilitar a cooperação entre autoridades judiciais da União Europeia.
As investigações começaram após autoridades francesas apreenderem 124 quilos de cocaína escondidos em um compartimento submerso — conhecido como seachest — de um navio cargueiro que havia passado pelo Porto de Santos antes de seguir viagem para a Europa.
A droga foi localizada por mergulhadores da guarda costeira francesa e estava embalada com dispositivos eletrônicos de rastreamento, o que indica possível monitoramento do carregamento durante a travessia marítima.
Segundo os investigadores, há indícios de que a cocaína tenha sido colocada na embarcação ainda em território brasileiro, com destino a integrantes da organização criminosa no exterior.
Os alvos desta etapa da operação são investigados como possíveis integrantes de um grupo brasileiro especializado no tráfico internacional de drogas.
De acordo com a apuração, os suspeitos atuariam em diferentes etapas da logística do esquema, desde a inserção da droga em navios que partem do Porto de Santos até a movimentação financeira e ocultação de bens obtidos com a atividade criminosa.
As investigações também apontam indícios de lavagem de dinheiro, com uso de veículos e outros bens registrados em nome de terceiros, além da possível utilização de empresas e estruturas logísticas para viabilizar o transporte da droga e disfarçar recursos provenientes do tráfico.
Prisões realizadas na Rennes, no âmbito das investigações sobre o recebimento da droga na Europa, ajudaram a avançar nas apurações conduzidas no Brasil.
Os materiais apreendidos nesta fase da operação serão analisados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal para identificar outros integrantes do grupo e aprofundar as investigações.