A escalada do conflito no Oriente Médio envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel já começa a refletir no bolso dos motoristas em Franca. Postos de combustíveis da cidade passaram a vender o diesel até R$ 2 mais caro nesta semana, em comparação aos valores praticados anteriormente.
A equipe do Portal GCN/Rede Sampi percorreu alguns dos principais corredores da cidade - como as avenidas Ismael Alonso y Alonso, Brasil e Presidente Vargas - para verificar a variação nos preços.
Em um posto na avenida Santa Cruz, o litro do diesel que era vendido a R$ 6,39 subiu para R$ 6,89 na segunda-feira, 9. Já nesta terça-feira, 10, o combustível passou a ser comercializado por R$ 7,99.
A menos de 6 km dali, já na avenida Ismael Alonso y Alonso, um posto bandeirado registrou aumento mais discreto: apenas R$ 0,10, mantendo o diesel, "por enquanto", em R$ 6,99, segundo informou um frentista.
Ainda na região central, na mesma avenida, outro estabelecimento comercializa o diesel também por R$ 7,89. Nesse caso, o reajuste ocorreu de forma fracionada, com aumentos sucessivos de R$ 0,10 e R$ 0,15, até chegar ao valor atual. Antes, o litro do diesel era vendido no valor R$ 5,89.
A reportagem também encontrou postos na Presidente Vargas e avenida Brasil vendendo o combustível nas faixas de R$ 6,59, R$ 6,89 e R$ 6,99, dependendo da localização.
Um frentista, que preferiu não se identificar, afirmou que muitos motoristas ainda não perceberam o aumento. “Eles mandam abastecer e nem veem o valor. Quando percebem, alguns até comentam sobre o aumento”, disse.
O presidente regional do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo), Marco Antônio do Nascimento, afirma que a alta não está relacionada ao aumento de consumo, mas sim à dificuldade de abastecimento no mercado.
Segundo ele, o preço do diesel disparou nas distribuidoras e há dificuldades para encontrar o produto.
“Hoje tem distribuidora pedindo entre R$ 7 e R$ 8 o litro do diesel para os postos”, afirmou. De acordo com o dirigente, o cenário é agravado pela redução no volume fornecido pelas distribuidoras.
“Muitas vezes a distribuidora precisa de 100 mil litros e recebe apenas 30 mil. Está havendo corte no fornecimento, e isso acaba pressionando os preços”, explicou.
Ele ressalta ainda que parte do diesel consumido no Brasil é importada, o que torna o mercado sensível às oscilações internacionais. Antes do agravamento das tensões no Oriente Médio, o barril de petróleo estava entre US$ 62 e US$ 68. Com a escalada do conflito, chegou a ultrapassar US$ 120, recuando posteriormente para a faixa de US$ 100.
Marcos comenta que mesmo com políticas internas diferentes, o mercado global acaba influenciando. Se as distribuidoras pagam mais caro pelo combustível, esse custo acaba sendo repassado ao longo da cadeia até chegar aos postos.
Para o representante do setor, o momento ainda é de incerteza.