A tristeza pela perda deu lugar, por alguns momentos, à celebração de uma trajetória de vida marcada pelo trabalho. O velório de Aparecido Maldonado Ponce, o “Seo Aparecido”, de 88 anos, reuniu familiares, amigos e admiradores no Memorial Nova Franca, neste sábado, 7.
Os filhos Aparecido Júnior, Alexandre e Daniel Maldonado Ponce demonstraram o luto de maneiras diferentes durante o velório. Aparecido Jr. permaneceu ao lado do pai durante todo o tempo. Daniel recebeu amigos e familiares e repetia: “foi sereno. Foi indo aos poucos e foi em paz”. Já Alexandre, um pouco mais afastado, também cumprimentava as pessoas que chegavam para prestar as últimas homenagens.
Coroas de flores de diversas pessoas, famílias e empresas estavam expostas no local. Ao menos 25 estavam expostas no ambiente.
Próximo ao fim do velório, o público entoou louvores religiosos, acompanhados pelo som de um teclado, em um momento de oração e despedida. A primeira música foi "Ave Maria", seguida de "Nossa Senhora", "Te Amarei, Senhor" e "Pelos Prados e Campinas". Outras músicas foram tocadas de forma instrumental. No encerramento, as músicas "Terra Seca" e "Noites Traiçoeiras" comoveram todos os presentes.
Junto do fechamento do caixão, muita emoção foi presenciada, com direito a uma chuva de pétalas de rosas que marcaram o momento da despedida.
O carro que transportava o corpo de Seo Aparecido entrou no Cemitério da Saudade pelo portão lateral e seguiu até o jazigo da família. No local, filhos e familiares se reuniram ao redor do caixão e acompanharam o momento da despedida.
Uma salva de palmas marcou a homenagem à memória de Aparecido. Em seguida, o filho do meio, Daniel Maldonado Ponce, falou em entrevista exclusiva ao portal GCN/Sampi sobre a honra de ter convivido por tantos anos com o pai.
"Foi uma honra eu ter convivido esses 56 anos com o meu pai, tenho muito orgulho do aprendizado que tive com ele. Só tenho gratidão", disse.
Daniel também relatou como foram os últimos dias de Seo Aparecido. Segundo ele, no último sábado, 28, o pai esteve no Supermercado São Paulo, onde circulou em sua cadeira de rodas e cumprimentou as pessoas que estavam tanto dentro quanto fora do estabelecimento.
O filho também contou que a principal causa da morte de seu pai foram os problemas renais causados pelo uso de insulina para tratamento de diabetes, além de suas internações pelo coronavírus.
"Há nove meses atrás, ele teve uma afta e partiu para a radioterapia. Ele, um guerreiro, fez tudo, venceu e sempre lutou. Acordando sempre feliz, nunca reclamando, sempre agradecendo, mesmo ele andando às vezes com a motinha. Ele tinha vencido a radioterapia, mas devido à idade, acabou recaindo", explicou.
Segundo Daniel, o Seo Aparecido foi internado no domingo, 1°, no Hospital São Joaquim. Ficou no CTI (Centro de Terapia Intensiva) por três dias, quando melhorou e foi ao quarto na quarta-feira, 4. Na quinta-feira, piorou novamente e entrou em coma. Na sexta-feira, 6, o estado se agravou e neste sábado, por volta das 8h20, morreu.
"Eu perdi meu esteio. Mas a vida que segue, fica o legado. Lá no velório, o tanto que ele é querido. Ele ia se sentir tão bem no meio do povo ali. Ele estava representado com o povo, do jeito que ele queria. Está abençoado. Já está num bom caminho", finalizou Daniel.