A Escola de Futebol da Associação Sabesp, em Franca, celebrou neste sábado, 7, duas décadas de história dedicadas à formação esportiva e humana de crianças e adolescentes. Fundada em 7 de março de 2006 pelo professor Fabiano Pradella, em parceria com o presidente da associação, Denilson Ruys, o projeto nasceu com a proposta de utilizar o futebol como ferramenta de educação, disciplina e desenvolvimento social.
O início da trajetória remonta ao fim de 2005, quando Pradella, então com 19 anos, elaborou um projeto para a criação de uma escola de futebol dentro da Associação Sabesp. Sem conhecer pessoalmente a diretoria do clube, ele apresentou a proposta ao presidente Denilson Ruys, que aprovou a ideia meses depois.
Assim, em março de 2006, começaram oficialmente as primeiras aulas. Segundo o fundador, a data ficou marcada na memória. “Lembro que era uma manhã chuvosa. Na época, fiquei até um pouco decepcionado por ser o primeiro dia, mas hoje vejo como uma espécie de bênção, um sinal de que tudo daria certo”, recordou.
Antes de criar a escola, Pradella já tinha ligação com o futebol desde jovem. Ele chegou a atuar como goleiro em escolinhas da cidade e posteriormente trabalhou como preparador físico em um projeto esportivo. Foi justamente após perceber a possibilidade de desenvolver um novo trabalho que decidiu investir na criação da escola.
“Quando começamos, éramos jovens, inexperientes por um lado, mas muito animados e com muita energia para fazer o projeto dar certo. Naquela época, jamais imaginaríamos chegar aos 20 anos com uma escola tão consolidada na cidade e na região”, afirmou.
Ao longo dessas duas décadas, o projeto cresceu. Atualmente, a escola atende mais de 600 crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos. As turmas estão completas e há inclusive fila de espera por novas vagas.
Além do treinamento esportivo, a proposta da escola sempre foi trabalhar valores importantes na formação dos alunos, como disciplina, respeito, responsabilidade e convivência em grupo.
“Nosso trabalho vai muito além do futebol. A gente procura formar pessoas, trabalhar educação, cidadania e caráter. O futebol é o instrumento que usamos para ensinar tudo isso”, explicou Pradella.
Um dos projetos que simbolizam essa filosofia é o “Troféu Bom de Nota”, criado em 2011. A iniciativa premia alunos que apresentam bom desempenho escolar, incentivando o compromisso com os estudos.
A cada edição, a escola analisa os boletins escolares dos alunos e entrega troféus para aqueles que apresentam as melhores notas. Os estudantes que não atingem o resultado esperado também recebem acompanhamento e incentivo para melhorar no ano seguinte. “É um projeto que temos muito orgulho. A ideia é mostrar que o esporte e a educação caminham juntos”, destacou.
Outro ponto marcante da escola são os campeonatos internos, que mobilizam alunos, familiares e professores. Os torneios são organizados ao longo do ano e buscam promover integração entre as turmas, além de estimular o espírito esportivo e a competição saudável.
Além das competições internas, as equipes da escola também participam de campeonatos regionais, levando o nome da associação e possibilitando aos atletas experiências em jogos fora da cidade.
Ao longo dos anos, o projeto também revelou jogadores que seguiram carreira no futebol profissional. Entre os destaques estão Matheus Prado, do Sertãozinho, Murilo Polo, do Goiás, e Richard Levi, do Palmeiras.
Apesar dos bons resultados, a trajetória da escola também teve momentos difíceis. Um dos maiores desafios ocorreu durante a pandemia do coronavírus, quando as atividades precisaram ser interrompidas por cerca de sete meses.
“Foi o jogo mais difícil da nossa história. Ficamos muito tempo sem funcionar e havia muita dúvida sobre o futuro. Mas conseguimos superar e isso mostrou que a escola tem bases sólidas”, relembra o fundador.
Outro desafio atual apontado pela direção é manter o interesse das crianças pela prática esportiva em um cenário cada vez mais dominado por telas e dispositivos eletrônicos.
“A nossa preocupação é continuar oferecendo um ambiente atrativo, feliz e saudável, para que os alunos deixem um pouco o celular e venham praticar esporte”, afirmou.
A escola também mantém eventos tradicionais que fortalecem o vínculo com ex-alunos. Um deles é o Torneio dos Eternos Sangue Azul, que reúne antigos atletas da escolinha, muitos deles hoje já adultos.
Segundo Pradella, reencontrar esses alunos e perceber que os ensinamentos transmitidos continuam presentes na vida deles é uma das maiores recompensas do trabalho.
“Muitos deles falam que lembram da disciplina, das orientações e dos valores que aprenderam aqui. Isso mostra que estamos no caminho certo”, afirma.
Atualmente, a comissão técnica da escola é formada pelos professores Edivar Vitoriano, que está no projeto há 16 anos; Erivelton Gonçalves, ex-atleta que integra a equipe há quatro anos; além de Mateus Mafas e Matheus Henrique, ambos ex-alunos da escola que passaram por estágio e hoje atuam como professores.
Para marcar os 20 anos de história, a escola realizou nesta semana uma comemoração simbólica com os alunos, com direito a bolo e ao tradicional “parabéns”. Outras atividades comemorativas devem ocorrer ao longo do ano, incluindo encontros e eventos com a comunidade.
De acordo com Pradella, a celebração oficial não ocorreu exatamente na data do aniversário porque muitas equipes da escola já tinham jogos agendados em competições regionais.
“Como temos campeonatos marcados, inclusive jogos fora da cidade, não conseguimos concentrar tudo em um único evento. Por isso, vamos comemorar ao longo do ano, com encontros e atividades especiais”, explicou.
O fundador afirma que o objetivo agora é continuar fortalecendo o projeto e garantindo sua continuidade nas próximas décadas.
“A gente comemora os 20 anos, mas já pensa nos 25, nos 30. Queremos manter a tradição e garantir que essa história continue por muito tempo”, finalizou.