O presidente da Câmara Municipal de Franca, Fransérgio Garcia (PL), foi acusado pelo próprio tio de proferir ameaças após deixar de quitar um empréstimo de R$ 37 mil. Segundo boletim de ocorrência registrado em 4 de fevereiro, o valor teria sido concedido para financiar a campanha eleitoral do vereador. Fransérgio nega as acusações e afirma que o dinheiro foi usado na compra de um carro.
De acordo com o registro policial, Roberto Pereira da Silva, 75 anos, informou à polícia que emprestou R$ 37 mil ao sobrinho, Fransérgio Garcia Braz, que alegou precisar do valor para custear uma campanha política em Franca — Fransérgio foi eleito vereador na cidade em 2024.
Segundo o boletim, Roberto afirma que Fransérgio vinha "procrastinando" a quitação. O tio diz ter recebido mensagens — e até uma imagem — indicando que o sobrinho já dispunha do dinheiro e faria a devolução pessoalmente, o que não teria ocorrido.
Com as cobranças, o clima teria azedado: o vereador passou a insinuar que o credor praticaria agiotagem. Roberto rejeita a acusação e diz ter extrato bancário comprovando a transferência.
O boletim também menciona uma procuração vinculada a um imóvel. Segundo Roberto, Fransérgio teria condicionado o pagamento da dívida à manutenção da procuração — o que o tio caracteriza como chantagem.
Por fim, Roberto relata que o sobrinho enviou a foto de um "coronel" com a mensagem de que ele "o aguardava" — conteúdo interpretado pelo tio como uma ameaça.
O caso foi encaminhado para investigação policial. Roberto manifestou intenção de representar criminalmente contra Fransérgio. O boletim de ocorrência foi registrado em 4 de fevereiro.
A reportagem tentou contato com Roberto Pereira da Silva na noite desta quarta-feira, mas não obteve retorno até o fechamento deste texto.
Em declaração prestada ao Necrim (Núcleo Especial Criminal) em 24 de fevereiro, Fransérgio negou os fatos narrados no boletim. Segundo ele, o valor foi oferecido por Roberto espontaneamente e com cobrança de juros de 2,5% ao mês, e afirmou ter comprovantes dos pagamentos já realizados.
O vereador disse ainda que, após uma discussão familiar, o credor elevou os juros para 5% ao mês, e que já pagou R$ 20 mil da dívida.
Fransérgio também relatou ter se sentido ameaçado. Segundo seu depoimento, Roberto teria dito que, caso o restante não fosse quitado, usaria a tribuna da Câmara para expor a situação. O vereador afirmou que respondeu convidando Roberto a vir, pois a polícia o estaria esperando — já que, a seu ver, havia uma tentativa de extorsão.
Sobre o imóvel, Fransérgio relatou que ele e o irmão estão em processo de inventário de uma casa da avó em Delfinópolis (MG). Segundo o vereador, Roberto — que já havia concordado com o inventário — teria posteriormente embargado o processo como forma de pressão, condicionando a retirada do embargo ao pagamento de juros de 5% ao mês, além do restante da dívida.
Ao final do depoimento, Fransérgio disse querer representar criminalmente contra o tio e se colocou à disposição para autorizar a quebra de sigilo telefônico e de conversas via WhatsApp, a fim de comprovar o teor das mensagens mencionadas.
O portal GCN/Sampi entrou em contato com Fransérgio Garcia na noite desta quarta-feira. O vereador voltou a negar as acusações e afirmou que o empréstimo "não tem nada a ver com a campanha e que isso aconteceu muito antes".
Segundo o parlamentar, Roberto teria vendido um imóvel e oferecido emprestar os R$ 37 mil com juros de 2,5% ao mês. O vereador afirmou ter usado o dinheiro na compra de um carro, com o acordo celebrado entre o fim de 2023 e o início de 2024, ano da eleição — embora não se recorde da data exata.
"A minha avó morreu e saiu o inventário da casa dela. Ia passar para os nomes da minha mãe e das minhas tias. Ele entrou com um embargo, queria parte da herança e não queria que fizesse o inventário daquele jeito. Ele queria parte. Elas já tinham assinado, ele já tinha assinado concordando, mas depois ele voltou atrás", disse Fransérgio.
O parlamentar também relatou que Roberto teria exigido 5% de juros sobre a dívida e ameaçado dizer que "foi dinheiro de campanha" caso não fosse pago. Fransérgio afirmou ter respondido convidando Roberto, que mora em Marília (SP), a vir a Franca — pois a polícia o estaria esperando, diante do que considerou uma tentativa de extorsão.
O caso segue em investigação.