Duas mães de Franca reclamam da dificuldade para conseguir vagas para os filhos na rede municipal de ensino. Os casos envolvem um menino autista, que aguarda transferência para uma escola de período integral, e uma menina inscrita em creche desde janeiro deste ano. As mães afirmam que buscaram diferentes órgãos públicos, mas seguem sem solução, o que tem impactado diretamente a rotina familiar e o trabalho.
Um dos casos é o de Karla Cristina Ferreira, mãe de um menino autista de 4 anos. Segundo ela, o pedido de transferência para uma escola de período integral foi feito há cerca de um mês e meio. Desde então, teria procurado a Secretaria de Educação, o Conselho Tutelar, a Delegacia de Ensino e contado com a intermediação de um vereador, sem conseguir retorno efetivo.
Karla relata que trabalha em um salão de beleza, não possui rede de apoio e dependia de uma pessoa que cuidava do filho enquanto ela trabalhava. Com o afastamento dessa ajuda após um acidente, ela disse que ficou impossibilitada de manter a rotina profissional, o que comprometeu a renda da família e a organização da casa.
Segundo ela, além da dificuldade prática, a falta de resposta dos órgãos procurados tem agravado a situação emocional e financeira. “Eu vou ter que ir num lugar desses, gritar, quebrar alguma coisa, porque aí chamam a polícia, vem reportagem e alguém me ouve”, disse.
Outro caso é o de Franciene Horrana Brandieri, mãe de uma menina de 3 anos, inscrita em creche desde o dia 8 de janeiro. Ela contou que realizou a inscrição no início do ano, recebeu a confirmação e passou a acompanhar semanalmente a lista de convocação, conforme orientação da própria Secretaria de Educação, mas a criança não foi chamada.
Diante da demora, Franciene buscou informações por telefone e presencialmente, conseguiu a comprovação da inscrição, mas teria sido informada de que o processo não teria avançado. Com receio de perder o emprego por não ter com quem deixar a filha, a família procurou o Conselho Tutelar. O pai da criança participou de uma reunião com conselheiros, que teriam informado um prazo para retorno, o que, segundo a mãe, não ocorreu.
Após novas tentativas de contato, a família foi orientada a refazer procedimentos já realizados desde o início do ano. “Eu estou desde janeiro pelejando por essa vaga e nada se resolve”, relatou.
Em nota, a Prefeitura de Franca, por meio da Secretaria de Educação, informou que não há registro ou convocação da folha de Franciene. Segundo a pasta, os remanejamentos são feitos semanalmente e, assim que houver disponibilidade de vaga, a secretaria entrará em contato por meio da Central de Vagas.
Em relação ao filho de Karla, a secretaria informou que a matrícula será efetivada no CCI "Maria Erotildes", caso a mãe esteja de acordo. A nota esclarece ainda que o aluno está regularmente matriculado e frequentando a Emeb "Milton Alves Gama", por já estar em idade escolar obrigatória, e que entrará em contato com os responsáveis para concluir os procedimentos administrativos.