A obesidade no Brasil mais que dobrou em menos de duas décadas e já atinge 1 em cada 4 adultos no país. Em Franca, o cenário é ainda mais preocupante: 46,54% da população adulta apresenta algum grau de obesidade, percentual superior ao registrado na capital paulista (37,63%) e acima da média nacional apontada pela pesquisa Vigitel, levantamento anual nas capitais brasileiras, do Ministério da Saúde.
A pesquisa Vigitel aponta que o crescimento foi mais acentuado entre adultos de 25 a 34 anos, mulheres e pessoas com ensino médio completo ou superior incompleto. Entre os estados, o Rio Grande do Sul lidera com 42% de obesidade, seguido pelo Rio de Janeiro (40,6%). Maranhão (26,8%) e Piauí (29,5%) apresentam os menores percentuais.
Os dados nacionais mostram que a prevalência da obesidade cresceu 118% entre 2006 e 2024, alcançando 25,7% dos brasileiros. Quando considerado o sobrepeso — índice de massa corporal (IMC) acima de 25 kg/m² — o avanço foi de 46,9% no período, atingindo 62,6% da população adulta. Ou seja, quase dois em cada três brasileiros estão acima do peso.
Em Franca, o índice total de obesidade é de 46,54%, distribuído da seguinte forma:
O percentual local é superior ao da capital São Paulo, onde a taxa total é de 37,63%, sendo 5,53% de obesidade grau III.
Na comparação regional, Franca apresenta índice maior que cidades vizinhas como:
O índice do município fica próximo de Bauru, que registra 47,54%, o maior entre as cidades listadas.
Outros municípios da região apresentam:
Ainda na comparação regional, Franca apresenta índice menor que cidades como:
A pesquisa aponta ainda que a obesidade é uma doença multifatorial, crônica e recidivante. Entre os principais fatores está a mudança no padrão alimentar, com maior presença de alimentos ultraprocessados.
A própria Vigitel mostra que o consumo de feijão ao menos cinco vezes por semana caiu de 66,8% em 2007 para 56,4% em 2024. Hoje, 25,5% dos brasileiros ingerem cinco ou mais grupos de ultraprocessados por dia, enquanto apenas 21% consomem a quantidade recomendada de frutas e hortaliças.
Outro fator é o sedentarismo: apenas 42,3% praticam atividade física no lazer e menos de 12% se exercitam no deslocamento para trabalho ou escola.
O sono também entrou no radar. Pela primeira vez, a Vigitel avaliou o tema e identificou que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite e 31,7% relatam sintomas de insônia — fatores associados ao aumento da resistência à insulina e à desregulação hormonal ligada à fome.
Ainda segundo a pesquisa, o enfrentamento da obesidade exige políticas públicas estruturais, como regulação mais rígida da publicidade de ultraprocessados, melhorias na rotulagem e medidas econômicas, como a recente taxação de refrigerantes aprovada pelo Congresso Nacional.
Medicamentos injetáveis modernos, como Wegovy (da Novo Nordisk) e Mounjaro (da Eli Lilly), têm mostrado resultados relevantes, mas o custo mensal pode chegar a R$ 2 mil. Nenhum dos seis medicamentos aprovados pela Anvisa para obesidade está disponível no SUS.
Entretanto, no ínicio deste mês, a Câmara dos Deputados aprovou um requerimento de regime de urgência para apreciar o Projeto de Lei 68/2026, de autoria do deputado federal Mário Heringer (PDT-MG), que torna o medicamento Mounjaro, indicado para tratamento de diabetes e obesidade, como de interesse público e abre caminho para a quebra da sua patente.
Os genéricos são obrigatoriamente ao menos 35% mais baratos, mas um estudo de pesquisadores da Universidade de Brasília e da Universidade Federal de Santa Catarina constatou que eles costumam ter preços 59% inferiores aos remédios de referência, e os similares, 15%.
Outra alternativa é cirurgia bariátrica, que segue como alternativa para casos graves e pode ser realizada pelo SUS, mas enfrenta filas extensas devido à alta demanda e à limitação de serviços especializados.