24 de fevereiro de 2026
TRAGÉDIA EM RIFAINA

Franca se despede das vítimas: 'arrancou um pedaço da família'

Por Laís Bachur | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Laís Bachur/GCN
Carro funerário levando o corpo de uma das vítimas do acidente fatal para sepultamento em um cemitério de Franca

O portal GCN/Sampi acompanhou, nesta segunda-feira, 23, os velórios das vítimas do acidente náutico que deixou seis pessoas mortas durante um passeio de lancha na represa do Rio Grande, entre Rifaina e Sacramento (MG), na noite do último sábado, 21.

O clima foi de profunda tristeza, com choro e abraços apertados entre familiares e amigos, nos três locais onde ocorreram as despedidas: Memorial Nova Franca, Velório São Vicente e Velório Santo Agostinho. Assim como os velórios, todos os sepultamentos aconteceram em Franca.

Leia mais: Seis mortes em acidente de lancha; vítimas são identificadas

Em entrevista exclusiva ao GCN, familiares falaram sobre a dor da perda e relembraram momentos vividos com as vítimas.

“Não era para ele estar lá”, diz tia de Viviane

A tia de Viviane Aredes, Rosângela Teixeira, de 51 anos, se emocionou ao falar sobre a sobrinha e o sobrinho-neto, Bento, de 4 anos, que também morreu na tragédia. Segundo Rosângela, a notícia foi recebida por meio de uma ligação da irmã, mãe de Viviane, que comunicou o ocorrido à família. “Minha irmã me ligou avisando. Foi inacreditável. A gente não conseguia entender o que tinha acontecido. Entramos nas redes sociais, e só se falava disso”, contou.

Rosângela descreveu Viviane como uma mãe extremamente dedicada aos filhos — Bento, de 4 anos, que morreu na tragédia, e o adolescente de 16 anos, que também estava na lancha e sobreviveu. “Ela era apaixonada por eles. Eram grudados.”

A tia contou que o menino não costumava participar de passeios desse tipo com a mãe. “Ela não tinha o costume de levá-lo para lugares assim, mas ele chorou para ir. Ela já estava em Rifaina com a Marina, que também morreu e era muito amiga dela. Ela passou na casa da avó e levou o Bento para o rancho. Não era para ele estar lá; ele que chorou para ir”, disse, muito emocionada.

Viviane e Bento foram sepultados às 10h no Cemitério Santo Agostinho.

“Arrancou um pedaço da nossa família”, diz sobrinha de Juliana

A sobrinha de Juliana Fernanda, outra vítima do acidente, também conversou com a reportagem. Emocionada, ela destacou a alegria contagiante e a energia da familiar. “Minha tia me ligou pedindo para eu tentar falar com minha prima, filha dela, para entender o que estava acontecendo. Quando consegui falar, ela já estava chegando a Rifaina e lá recebeu a confirmação de que Juliana era uma das vítimas”, relatou Maria Júlia de Paula Andrade, de 24 anos.

Ela descreveu Juliana como uma mulher intensa e cheia de vida. “Era incrível, tinha uma energia maravilhosa, um amor enorme. Sempre disposta a ajudar. Muito feliz, muito alegre. Gostava de viver a vida.”

Segundo a sobrinha, Juliana frequentava Rifaina com regularidade e já havia feito outros passeios de lancha. Ela também destacou a relação de extrema cumplicidade que a vítima mantinha com as filhas, de 7 e 24 anos. “Elas eram grudadas, pareciam amigas e irmãs, de tão unidas.”

“Arrancou um pedaço da nossa família. Ficou um vazio, mas a memória e a luz dela permanecem no nosso coração”, completou.

“Ela dizia que queria viver intensamente”

O irmão de Juliana, Wanderson de Oliveira, de 45 anos, contou que a irmã vivia o que considerava o melhor momento da vida. “Muito divertida, muito alegre, mãezona, família. Só temos elogios para ela.”

Ele mora na capital paulista e disse que veio para Franca assim que recebeu a notícia. “Meu sobrinho me ligou. A gente não acredita até agora. Ela deixou duas filhas.”

Wanderson revelou ainda que, cerca de 15 dias antes do acidente, Juliana teve uma crise de pânico e disse à filha que estava com medo de morrer. “Ela falou: ‘Eu vou morrer’. Levaram Juliana ao médico, e ela se acalmou. Mas, na semana passada, mandou mensagem de novo dizendo que estava com medo. E, na semana seguinte, acontece isso, infelizmente.”

Segundo ele, após a separação, há cerca de um ano, Juliana havia decidido viver de forma intensa. “Ela disse que queria viver intensamente um ano da vida dela. A gente até brincava para ela maneirar. Ela dizia: ‘Só mais um pouquinho, mês que vem eu paro’. E agora tudo parou”, concluiu, emocionado.

Os demais familiares e amigos também estavam profundamente abalados durante as despedidas.