A presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Franca, Luiza Gouvêa, fez um alerta contundente sobre a sofisticação do golpe do falso advogado, que já causou prejuízos individuais de até R$ 117 mil na região.
Em entrevista nesta sexta-feira, 13, à Rádio Difusora, no programa Show da Manhã, com Valdes Rodrigues, a advogada explicou que os criminosos utilizam dados públicos de processos judiciais para simular comunicações autênticas, incluindo alvarás falsos com QR Code e audiências virtuais fictícias, visando extorquir pagamentos imediatos das vítimas.
Os golpistas acessam sites de tribunais para coletar nomes, números de processos e valores de causas. Com esses dados, criam perfis no WhatsApp utilizando fotos reais de advogados retiradas de redes sociais. O contato geralmente traz uma "excelente notícia" sobre a vitória em uma causa, seguida do pedido de pagamento de uma guia ou taxa.
Segundo Gouvêa, o esquema evoluiu para enganar até os mais atentos. "Eles simulam um alvará com status de 'pagamento autorizado' e até realizam chamadas de vídeo fingindo ser uma audiência", revelou. A presidente destaca que, nessas chamadas, o criminoso geralmente mantém a câmera desligada alegando problemas técnicos para esconder a identidade, enquanto exige transferências via Pix para "liberar" valores ganhos na Justiça.
A presidente enfatiza que o Tribunal de Justiça jamais solicita custas processuais por meio de Pix em nome de terceiros. A principal recomendação é que, ao receber qualquer cobrança, o cliente interrompa o contato digital e procure o seu advogado de confiança pelos canais oficiais ou presencialmente. "Não faça nada com pressa. Se o advogado disser que não pode abrir a câmera ou pedir Pix de terceiro, desconfie na hora", pontua.
Para evitar prejuízos financeiros, a OAB recomenda atenção redobrada a sinais de alerta:
Para enfrentar a onda de crimes, a OAB Franca anunciou a criação da CCAFA (Comissão de Combate ao Falso Advogado). O grupo é responsável por acolher denúncias e encaminhar os casos à DIG (Delegacia de Investigações Gerais) da Polícia Civil. "Não façam pagamentos de forma precipitada. O Tribunal de Justiça não cobra custos processuais via Pix de terceiros", concluiu Luiza Gouvêa em entrevista à Rádio Difusora.