06 de março de 2026
NAIA

Mães denunciam caos em núcleo que atende crianças com TEA e TDAH

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Sampi/Franca
Leonardo Oliveira/GCN
Prédio de atendimento do Naia, anexo ao Centro de Saúde de Franca

Mães de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento denunciam o cenário de abandono no atendimento do Naia (Núcleo de Atenção à Infância e Adolescência), localizado na rua Ouvidor Freire, ao lado do Centro de Saúde, na região central de Franca.

Relatos colhidos pela equipe do portal GCN/Sampi entre os dias 30 e 31 de janeiro apontam esperas superiores a seis horas, falta de estrutura básica e falhas de gestão na unidade de saúde. A situação, que sobrecarrega famílias e agrava o quadro de ansiedade dos pacientes, motivou um clamor por melhorias urgentes no acolhimento a crianças com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), TEA (Transtorno do Espectro Autista) e outras comorbidades.

Espera exaustiva 

Uma mãe que preferiu não se identificar, com um filho diagnosticado com TDAH, relata que chegou para uma consulta agendada às 8h, mas o atendimento ocorreu apenas às 14h30. Segundo ela, a desorganização forçou crianças agitadas a permanecerem em um ambiente insalubre por mais de seis horas.

O longo tempo de espera gera uma contradição terapêutica: embora médicos orientem evitar o uso de telas, o atraso obriga pais a usarem celulares para conter a inquietude dos filhos. O próprio profissional que atendeu a família teria reconhecido a desordem e sugerido que a situação fosse denunciada.

"Meu filho passou mal durante a espera. O ambiente é antigo e pouco acolhedor, o que gera ansiedade não apenas nas crianças, mas também nos responsáveis", desabafa a mãe.

Estrutura precária

Os relatos também descrevem que a unidade sofre com problemas graves de infraestrutura. As queixas incluem a falta de trocadores, escadarias perigosas, falta de assentos e até a presença de pombos no local onde os pacientes aguardam na fila, muitas vezes expostos ao frio desde as 5h da manhã.

A rotatividade de profissionais é outro obstáculo citado. Mães afirmam que a troca constante de médicos impede a continuidade do tratamento. Em alguns casos, diagnósticos e exames feitos na rede particular não são aceitos ou sequer analisados pelos novos profissionais da unidade.

A dificuldade em conseguir receitas e a falta de retorno por telefone completam o quadro de reclamações, deixando pais de crianças com autismo e epilepsia desamparados diante de crises e necessidades imediatas.

Próximos passos

Apesar do cenário crítico, há uma previsão de mudança. O Naia será transferido para um novo prédio dentro do complexo do novo NGA, cujas obras estão em fase final, no Jardim Botânico. A entrega está prevista para o segundo semestre deste ano.

Em nota, a Secretaria de Saúde informou que já iniciou uma reestruturação para que todos os atendimentos passem a ser realizados estritamente por agendamento, visando eliminar as filas por ordem de chegada.