O Tribunal do Júri de Franca julga nesta quarta-feira, 5, Alexandre Júnior da Silva Sousa, de 35 anos, acusado de matar por asfixia a companheira, Fernanda Cristina de Souza, de 37 anos. Preso desde o crime, ele confessou o assassinato, ocorrido em julho do ano passado, no Parque Vicente Leporace, na região Norte da cidade.
A sessão foi marcada após o encerramento da fase de instrução do processo. A decisão é do juiz José Rodrigues Arimatéa, que definiu a data do júri no último dia 8 de janeiro, após a apresentação das alegações finais pela acusação e pela defesa.
A família de Fernanda afirmou esperar que a Justiça seja feita pelos jurados que vão analisar o caso.
Segundo a advogada de Alexandre, Elizângela Vara, a defesa não nega a autoria do crime, mas busca a retirada das qualificadoras de feminicídio e meio cruel. A advogada sustenta que a morte de Fernanda ocorreu durante um conflito conjugal específico, marcado por discussão intensa, violenta emoção e uso de entorpecentes pelo réu, sem motivação relacionada ao gênero da vítima. A defensora relata ainda que a asfixia teria ocorrido de forma impulsiva, sem intenção deliberada de causar sofrimento, e pede o reconhecimento do homicídio privilegiado, com redução da responsabilidade penal do acusado.
Fernanda foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava com Alexandre. De acordo com a investigação, o crime aconteceu no dia 25 de julho, após uma sequência de discussões entre o casal. A Polícia Militar apurou que o desentendimento começou ainda pela manhã e se intensificou no período da tarde.
Durante a briga, Fernanda foi estrangulada. Em seguida, Alexandre tentou simular um suicídio, colocando uma corda no pescoço da vítima. Depois do crime, ele deixou o local, foi até um supermercado e também comprou entorpecentes, que consumiu logo após. Horas mais tarde, o próprio autor acionou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).
Enquanto a equipe médica atendia a ocorrência, Alexandre confessou aos policiais que Fernanda não havia tirado a própria vida e assumiu a autoria do homicídio. Ele recebeu voz de prisão e foi levado à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Franca.
A delegada Juliana Paiva acompanhou os trabalhos no local, juntamente com a perícia, que constatou sinais evidentes de violência no corpo da vítima. O caso foi registrado como feminicídio.