Cerca de 50 quilos de maconha, 48 litros de lança-perfume e porções de cocaína prontas para venda foram apreendidos pela Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Franca durante uma grande operação policial realizada na manhã dessa quarta-feira, 28, em uma chácara no condomínio Vale dos Esquilos, no Jardim Aeroporto IV.
O local funcionava como uma “casa bomba”, usada por uma organização criminosa para armazenar entorpecentes e armas longe dos pontos de venda. Nesta quinta-feira, 29, a Polícia Civil confirmou o volume total do material apreendido e a situação dos animais encontrados na propriedade.
Segundo a Polícia Civil, o local funcionava como uma chamada “casa bomba”, termo utilizado para definir imóveis usados exclusivamente para guardar grandes quantidades de drogas e materiais ligados ao tráfico, longe dos pontos de venda, justamente para dificultar a ação policial.
A operação foi resultado de uma investigação detalhada e cuidadosa. Durante semanas, os policiais da Dise acompanharam a movimentação da quadrilha para identificar em qual dos vários sítios da região o material ilícito estava escondido.
Somente após a confirmação exata do local, os agentes solicitaram à Justiça os mandados de busca e apreensão. Com a autorização judicial em mãos, a equipe seguiu para o endereço.
Ao chegarem ao local, os policiais encontraram um sítio aparentemente comum. O portão estava fechado e, à primeira vista, havia apenas um grande espaço de terra, árvores, galinhas soltas, coelhos, cachorro e animais típicos de uma chácara tradicional - tudo montado para não levantar suspeitas.
No entanto, ao entrarem no imóvel, os policiais se depararam com dois homens. Um deles estava no quintal e o outro dentro da residência no momento da abordagem.
Dentro da casa, a equipe encontrou galões de lança-perfume, porções de cocaína já embaladas para venda e diversos materiais usados no preparo e na embalagem das drogas.
“Os dois que foram presos, quando chegamos, um estava dentro da casa e o outro saindo do quintal. Encontramos com ele no meio do caminho”, explicou um dos policiais envolvidos na ação.
Com o apoio do cão farejador Zuk, da Polícia Civil, os agentes avançaram nas buscas pela propriedade. O cachorro indicou um ponto específico dentro de um galinheiro.
Ao cavarem o local, os policiais encontraram dois grandes barris azuis enterrados, repletos de tijolos de maconha. As drogas estavam escondidas a uma profundidade significativa, numa tentativa clara de dificultar o trabalho da polícia.
“Olha a profundidade que estavam escondidos. Se não fosse uma investigação bem feita por nós, com apoio do Canil, dificilmente encontraríamos. Cavamos e localizamos dois tambores. Acreditamos que sejam de remessas diferentes, porque cada droga estava em embalagens de cores distintas”, afirmou o investigador Júlio Rodrigues, que participou da investigação, escavação e da contagem do material.
Os tijolos de maconha estavam embalados em plásticos de cores marrom e preta, reforçando a suspeita de que o local recebia drogas em momentos diferentes.
Após a contabilização realizada pela Polícia Civil, foi confirmado que a apreensão resultou em aproximadamente 50 quilos de maconha, distribuídos em 82 tijolos, além de 48 litros de lança-perfume, armazenados em oito galões de 6 mil mililitros cada, e diversas porções de cocaína, já fracionadas para comercialização. Todo o material ilícito foi apreendido, pesado e registrado oficialmente, reforçando a dimensão do esquema criminoso desmontado.
Durante toda a abordagem e a prisão, os dois homens detidos preferiram permanecer em silêncio e não deram qualquer declaração à polícia.
De acordo com a Dise, há fortes indícios de que os presos fazem parte de uma quadrilha responsável pelo tráfico de drogas na região Sul de Franca, principalmente nos bairros da região do Aeroporto. “Temos certeza de que eles integram uma organização criminosa. Uma grande parte da droga que abastece a região Sul da cidade passa por aqui”, destacou um investigador.
Todo o material encontrado foi apreendido e devidamente contabilizado. A chácara foi fechada após a operação.
Os animais que estavam no local ficaram sob responsabilidade de familiares dos suspeitos, que moram nas proximidades e foram informados sobre a prisão.
Segundo o delegado responsável pela operação, Alan Bazalha Lopes, diante da gravidade do caso e da grande quantidade de drogas apreendidas, a prisão em flagrante foi ratificada. “Diante da gravidade dos fatos e do volume do material apreendido, a autoridade policial representou pela conversão da prisão em preventiva, visando a garantia da ordem pública”, afirmou o delegado.
Os dois suspeitos permanecem à disposição da Justiça e investigação continua. “Não vamos parar, vamos continuar as investigações para descobrir a origem dos entorpecentes e chegar nos grandes fornecedores”, conclui o investigador.