A atribuição de aulas para professores temporários da rede estadual de ensino de São Paulo, iniciada na quarta-feira, 28, na Escola Estadual "David Carneiro Ewbank" (Cede), em Franca, tem provocado apreensão, revolta e denúncias de desrespeito por parte dos docentes. Segundo profissionais que aguardam a atribuição, mudanças recentes nas regras do processo podem resultar em desemprego em massa e agravar ainda mais a falta de professores nas escolas públicas.
O procedimento ocorreu a partir das 13h, conforme comunicado oficial da Diretoria de Ensino, e reuniu professores contratados da categoria O (temporários) e candidatos à contratação. No entanto, o clima no local era de incerteza. Docentes afirmam que uma resolução publicada pelo Estado nesta semana alterou critérios de classificação, utilizando como base uma avaliação de desempenho considerada por eles controversa, subjetiva e intimidatória.
De acordo com o comunicado oficial, professores temporários que atuaram em 2025 e foram indicados à não permanência na unidade escolar ao final da avaliação de desempenho não estão classificados para o Processo Anual de Atribuição de Classes e Aulas de 2026, mesmo que tenham participado do Processo Seletivo Simplificado (PSS) ou sejam remanescentes de concurso. Na prática, esses profissionais ficam impedidos de disputar aulas neste ano.
Os docentes denunciam que a avaliação institucional tem sido aplicada de forma arbitrária, permitindo que diretores influenciem diretamente na continuidade ou não do contrato do professor.
Segundo relatos, casos de falta de afinidade pessoal entre gestores e docentes teriam pesado nas indicações de não permanência, resultando em prejuízos profissionais e financeiros.
Outro ponto que causa preocupação é a possibilidade de endurecimento das regras nos próximos anos. Professores relatam que, a partir de 2027, aqueles indicados à não permanência poderão ficar até três anos afastados da rede estadual, sem poder lecionar, o que classificam como uma punição desproporcional e de impacto social severo.
Para os educadores, além de afetar diretamente centenas de profissionais, a medida compromete a qualidade do ensino público, já fragilizado pela falta de docentes, alta rotatividade e sobrecarga nas salas de aula. “Quem perde não é só o professor, são principalmente os alunos”, relatou uma professora temporária presente no Cede.
Até a publicação deste texto, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo não havia se manifestado sobre as denúncias feitas pelos professores.