O homem preso em flagrante por arrastar até a morte uma cadela amarrada ao para-choque de um caminhão foi liberado após audiência de custódia e responderá ao processo em liberdade provisória em Igarapava, na região de Franca. Lourival Pereira da Silva, de 65 anos, deixou a prisão nessa segunda-feira (26), decisão que provocou revolta entre a população da cidade.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito foi localizado logo após os fatos e teve a prisão em flagrante decretada no plantão policial. No entanto, após a audiência de custódia, a detenção foi convertida em liberdade provisória. As investigações continuam, com coleta de imagens de câmeras de segurança ao longo do trajeto percorrido pelo caminhão e apuração de indícios de que o motorista teria sido alertado diversas vezes sobre o animal preso ao veículo.
A delegada Ana Cláudia Fernandes Carvalho, responsável pela Polícia Civil em Igarapava, afirmou que a apuração busca esclarecer todas as circunstâncias do crime e reunir provas suficientes para a responsabilização do autor. “Estamos arrecadando todos os elementos de informação necessários para esclarecer completamente os fatos e responsabilizar o autor”, declarou. Ela reforçou ainda o compromisso da Polícia Civil com o combate aos maus-tratos. “Se depender da Polícia Civil, tudo será feito para que os agressores respondam pelos crimes praticados.”
O crime ocorreu na noite de domingo (25), no bairro Vila Marilene. Segundo a Polícia Militar, a cadela, sem raça definida, de porte médio e pelagem rajada escura, foi amarrada com um fio preto, semelhante a um fio elétrico, ao para-choque traseiro de um caminhão pequeno utilizado para fretes e passou a ser arrastada pelas ruas do bairro.
Durante o trajeto, moradores ouviram gritos e choros prolongados do animal, que só cessaram quando a cadela já não apresentava sinais de vida. Mesmo diante de buzinas, sinais de luz e gritos de alerta, o motorista não interrompeu o percurso. Um motorista de aplicativo chegou a atravessar o carro à frente do caminhão para forçar a parada, mas não conseguiu impedir a continuidade do crime.
A cadela só deixou de ser arrastada quando o fio se rompeu. Ela foi socorrida e levada para atendimento veterinário, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos. No hospital, foi constatado que o animal estava grávida, o que intensificou a comoção e a indignação da população.
O caminhão envolvido possuía adesivos de uma empresa de gás doméstico, que esclareceu não manter qualquer vínculo com o acusado e informou que o veículo havia sido vendido anteriormente.