O trânsito de Franca matou uma pessoa a cada três dias neste início de ano. Em menos de quatro semanas, oito vidas foram perdidas em uma sequência de acidentes graves que transformaram ruas, avenidas e rodovias da cidade em cenários de morte. Atropelamentos em calçadas, colisões violentas, veículos na contramão e capotamentos expõem um quadro alarmante de imprudência e falhas de segurança que já fazem de 2026 um ano marcado pela tragédia nas vias do município.
Um idoso de 70 anos, identificado como José Luiz Mendonça, morreu na noite do dia 1º de janeiro, na Santa Casa de Franca, após ser atropelado enquanto estava sentado na calçada em sua rua, no bairro Jardim Aeroporto III. Câmeras de segurança registraram o momento em que o motorista de um Ford EcoSport avançou uma sinalização de “pare” e colidiu com uma motocicleta, fazendo com que o motociclista perdesse o controle e atingisse o pedestre na calçada. As duas vítimas foram socorridas e levadas ao hospital, mas José Luiz não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois. O condutor responsável pelo acidente fugiu sem prestar socorro, o que revoltou familiares e vizinhos. Dias depois, ele se apresentou.
No dia 15 de janeiro, pela manhã, um grave acidente no bairro Santa Luzia terminou com a morte de uma mulher e deixou sua neta ferida. A colisão envolveu um carro de passeio e uma motocicleta no cruzamento da rua Allan Kardec com a rua Francisco Tárcia. A vítima fatal estava na garupa da motocicleta, enquanto a neta, conduzida na mesma moto, foi socorrida e levada ao pronto-socorro de Franca, com ferimentos.
Dois dias depois, no dia 17 de janeiro, um acidente na rodovia Fábio Talarico terminou com a morte de um motorista. O carro com oito pessoas a bordo capotou, e o condutor, identificado como Thiago de Souza Vittal, de 37 anos, foi arremessado para fora do veículo e não resistiu aos ferimentos. Os demais ocupantes sofreram apenas escoriações e foram socorridos em unidades de saúde de Franca.
Na madrugada da quinta, 22, um acidente envolvendo um caminhão e um ciclista que trafegava na contramão terminou com o ciclista morto. O fato ocorreu na avenida Dr. Ismael Alonso y Alonso, quando o veículo de carga não conseguiu evitar a colisão com a bicicleta. O ciclista foi arrastado por vários metros e sofreu ferimentos graves que resultaram em sua morte.
Também na quinta-feira, 22, outra tragédia marcou o trânsito de Franca. Maria do Carmo Santos Soares, de 70 anos, morreu após ser atingida por um caminhão de coleta seletiva que trafegava pela contramão na avenida Geraldo Teodoro Martins. A vítima havia acabado de deixar uma consulta médica no NGA (Núcleo de Gestão Assistencial), quando foi surpreendida pelo veículo pesado. Equipes de socorro foram acionadas imediatamente, mas Maria do Carmo não resistiu aos ferimentos e o óbito foi confirmado no local.
Em outro episódio ocorrido na tarde de sexta-feira, 23, um homem morreu após se envolver em um acidente de trânsito na avenida Geraldo Teodoro Martins, no Jardim Barão - a mesma via onde, no dia anterior, uma idosa havia sido atropelada e morta pelo caminhão de coleta seletiva. Testemunhas relataram que o condutor do Volkswagen Fox teria sofrido um mal-súbito enquanto trafegava, o que levou ao choque e à morte no local.
Na madrugada do domingo, 25, uma nova tragédia com mortes foi registrada no Jardim Aviação: uma adolescente de 15 anos e um motociclista de 28 anos morreram após um atropelamento na rua Luís Antônio de Souza. Segundo informações da Polícia Militar, o motociclista, que pilotava uma Yamaha MT-09 em alta velocidade e realizando manobras arriscadas, atingiu a jovem que caminhava nas proximidades da calçada. Ambos sofreram ferimentos graves e foram declarados mortos no local pelos socorristas. A área foi isolada para perícia e a ocorrência registrada para investigação.
O início de 2026 ocorre após um ano de alta nos óbitos no trânsito em Franca. Em 2025, o município registrou 40 mortes, contra 35 em 2024, um crescimento de 21,2%. No mesmo período, foram contabilizados 1.032 acidentes de trânsito, com percentual de fatalidade de 3,88%.
Os motociclistas concentraram o maior número de mortes no ano passado, com 18 vítimas, seguidos por pedestres (12), ocupantes de automóveis (6) e ciclistas (2). A cidade apresentou uma taxa de 11,22 mortes por 100 mil habitantes e 1,42 óbito a cada 10 mil veículos, considerando a frota estimada de 280.781 veículos.
O balanço de 2025 também aponta impacto econômico expressivo, com custo estimado superior a R$ 106 milhões em decorrência dos acidentes.